Vivemos, atualmente, num mundo das indiferenças/comodismos e do modismo. Originado da não ética pessoal

18/02/2025 21:18

 O Ser se torna indiferente diante da vida e de si mesmo. A indiferença, por sua vez, leva a banalização ou ao “tanto faz”. Ela é a negação dos próprios sentimentos em relação à vida e a si mesmo. Em tempos de tanta competição, vingança, comparações, o ser humano sofre na própria pele as consequências de sua indiferença e a depressão é uma delas.

Vários são os setores em que podemos observar a indiferença como principal causa de sofrimento e acomodação do indivíduo. Busquemos de maneira honesta traçar um pequeno perfil para que possamos refletir e nos situar em qual ou quais pontos estamos agindo com indiferença: aquele “que mostra indiferença; que não se importa; apático.  

Nosso planeta encontra-se na UTI já há algumas décadas; mas o Homem continua destruindo florestas, desviando os rios para construir barragens, queimando matas, assassinando animais, poluindo rios e mares em nome do progresso e da evolução em busca de dinheiro e poder pela indiferença com a vida e o viver. A água potável está ameaçada de extinção por um tempo inferior a quarenta anos.

A indiferença religiosa constrói escravos de líderes e empresas religiosas que lhes prometem o céu e a salvação não a qualquer preço; mas de acordo com o “tocar” de Deus dentro do seu coração para uma contribuição na mesma proporção. Se Deus te “tocou” muito você dará muito; mas se você doou pouco foi porque Deus pouco te “tocou”. Para algumas religiões fé virou sinônimo de dinheiro e poder.   Pela indiferença o nome do Criador se tornou motivo de grandes divisões raciais, sociais, intelectuais, cada grupo querendo ser o representante direto do Criador junto àqueles que os elegem. Da indiferença ignoramos a banalização que nos transformam em cegos e fanáticos religiosos sem nenhuma religiosidade, acreditando na utopia da salvação pela religião e não pela prática do amor e da caridade.

Pela nossa indiferença/acomodação elegemos governantes despreparados para dirigir a própria vida; mas com a promessa da multiplicação dos pães, das soluções milagrosas dos problemas coletivos refletidos em cada indivíduo em particular. Governantes que fingem dar o peixe; mas que não ensinam a pescar. Vivemos numa época em que temos que ensinar as pessoas a dirigirem a própria vida. Pois, quando não dirigimos a nossa vida, nos colocamos entre dois caminhos: procuramos alguém para dirigi-la ou então passamos a dirigir a vida de outros, transformando-os, muitas vezes, em nossos súditos (escravos de nosso ego). O que nos leva à pergunta: qual será o motivo leva o ser humano a valorizar de forma cega as pessoas malignas disfarçadas de líderes (santos) populares, tal como foi Hitler e Stalin de ontem; Sadhan, Busch e governantes brasileiros de hoje, lobos em peles de ovelhas? É pela acomodação que damos ao outro o poder para, em seguida, sermos manipulados por eles. Quando alguma pessoa tem poder, este poder lhe foi dado por alguém ou por um grupo de pessoas; pois ninguém nasce ou adquire poder por si mesmo. Se você não nomeia alguém para ser importante, para se tornar ídolo ou líder; ninguém poderá exercer tal papel sobre sua pessoa. Portanto, só há dominante porque existem os dominados. Somente sonha com a liberdade àquele que se permitiu aprisionar-se. Triste do País que necessita de ídolos para sobreviver. Somos corrompidos pela nossa ignorância, pelo nosso medo da vida, pela nossa insegurança perante nós mesmos, portanto, somos corruptos e vítimas de nós mesmos.

Pela acomodação de toda ordem temos nos transformado em covardes com nossa própria vida, como já foi dito: “Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.”

“O ser humano é naturalmente alegre; no momento em que varra sua realidade, evidentemente impede a existência de sua felicidade. Portanto, nascemos para ser felizes e, negando a verdade, cortamos tal ventura.” A felicidade é a compreensão para aceitação do que existe; a infelicidade é a luta para que haja de qualquer maneira o que não deveria existir.

Muitas pessoas que conheço tem tudo para viver uma vida feliz, mas já se convenceu que é melhor viver sob a visão deturpada de que é, e precisa ser a vítima ou a coitada para que os outros a ame, a respeite e tenha pena dela, ao invés de lutar pela libertação do ego que a aprisiona. São pessoas viciadas em sofrimento, faz tudo pelo outro porque não consegue fazer para si mesmo, esse é, talvez, o pior dos egoísmos.

Finalmente, podemos afirmar que a indiferença principal que nos atropela perante a vida é a indiferença diante do conhecimento, do saber. Lembrando que sábio não é aquele que ensina; mas aquele que aprende. O ser humano sabe que está tentando viver o que não existe, isto é, a fantasia, a ilusão; por este motivo desespera-se continuamente. O grande sofrimento advém em consequência de se tentar permanecer fora da verdade ou da realidade; isto equivale ao esforço de querer destruir o que existe. É verdade que não temos condições evolutivas de vivermos integralmente a realidade ou a verdade; portanto, necessitamos temperar a realidade com alguma ilusão, sonho e fantasias, tal como se tempera uma comida. Assim, cada indivíduo deveria aprender através do despertamento para o conhecimento; temperar a própria vida.

Não podemos negar o que somos e o que temos; mas podemos a partir da compreensão e aceitação do que somos e do que temos, para melhorar nossa posição perante a vida e o viver. Nossas escolhas irão determinar o nosso amanhã e, não escolher, também é uma escolha. Quais as escolhas que você tem feita para sua vida? Foram as escolhas de ontem que trouxe você aonde você se encontra nesse exato momento e são elas (escolhas) que vai determinar onde você estará amanhã.

(José Geraldo Rabelo, psicólogo holístico, psicoterapeuta espiritualista, parapsicólogo, filósofo clínico, artista plástico, prof. Educação Física, especialista em família, depressão, dependência química e alcoolismo, escritor e palestrante)