Seja flexível consigo mesmo.

19/03/2022 19:50
Seja flexível e se dê bem no mercado de trabalho!! - Orientadora de  Carreira Franciane Torres - Brasil - beBee
 
Tente não utilizar um critério dicotômico extremista para avaliar a realidade ou a si mesmo. Não pense em termos absolutos, porque não existe nada totalmente bom ou totalmente ruim. É melhor tolerar que as coisas saiam às vezes dos trilhos e não enlouquecer por isso. Pode doer, mas o mundo não gira a seu redor, nem todos os seus desejos são ordens para o universo (o cosmo não é tão submisso). Aprenda a suportar as diferenças e a entender sua
rigidez como um defeito, não como uma virtude: ter a última palavra ou impor seu ponto de vista não deixa de ser uma bravata. As coisas rígidas são menos maleáveis, não suportam com facilidade a variabilidade do mundo que as contém e se quebram. Se você for normativo, perfeccionista e intolerante, não saberá o que fazer com a vida, porque ela não é assim. O resultado será que a maioria dos acontecimentos cotidianos lhe causará estresse, visto que não são como você gostaria que fossem. Esse tipo de estresse tem um nome: “Baixa tolerância à frustração”.
Faça um esforço e concentre-se durante uma ou duas semanas nos matizes.
Não se apresse em categorizar de maneira definitiva. Dê um tempo e pense se realmente o que você diz é verdade. Reveja sua maneira de apontar para si e para os outros; não seja drástico. Procure a seu redor pessoas que você já catalogou e questione o rótulo que pôs nelas; procure evidências contra, descubra os pontos médios e, quando avaliar, evite utilizar as palavras “sempre”, “nunca”, “tudo” ou “nada”.
Estes indicadores podem servir de resumo:
a) Procure não ser perfeccionista. Desorganize um pouco seus horários, seus ritos, seus trajetos, seu jeito de arrumar as coisas, como uma brincadeira,para ver o que acontece. Conviva com a desordem por uma semana e perca o medo dela. Você vai descobrir que tudo continua mais ou menos igual e que todo aquele ímpeto controlador era uma perda de tempo.
b) Não rotule a si nem aos outros. Tente ser benevolente, sobretudo consigo mesmo. Fale só em termos de condutas quando se referir a alguém ou aseu eu.
c) Concentre-se nos matizes. Pense mais nas alternativas e nas exceções à regra. A vida é composta de mais tonalidades além do preto e do branco.
d) Ouça as pessoas que pensam diferente de você. Isso não implica que deva necessariamente mudar de opinião; apenas ouça. Deixe a informação entrar e então decida.Lembre-se: se for inflexível e rígido com o mundo e com as pessoas,acabará sendo consigo mesmo. Não perdoará nenhum erro que cometer. Seráseu próprio carrasco.
Não imponha metas inatingíveis a si mesmo! Exija de si conforme com suas possibilidades e capacidades reais. Se perceber que está tentando subir o monte Everest se angustiando, haverá duas opções racionais: mudar de montanha ou aproveitar o passeio. Quando definir alguma meta, também deverá definir os degraus, ou submetas. Tente aproveitar, saborear cada degrau, como se cada um fosse um grande objetivo,independentemente da meta final. Não espere chegar ao fim para descansar e usufruir do caminho ou da luta. Encontre estações intermediárias e perca-se nelas um pouco; nos meandros e caminhos que não levam a Roma. Anote suas metas, reveja-as, questione-as e descarte aquelas que não forem vitais nem saiam de dentro de você. A vida é muito curta para ser desperdiçada em um devir incerto ou marcado por ideais que não nascem da alma ou que são impostos de fora e alheios a seu ser. Lembre-se: se suas metas forem inatingíveis, você viverá frustrado e amargurado. Ninguém o suportará, nem você mesmo.
Se você só se concentrar em seus erros, será incapaz de ver suas conquistas.
Se só vir o que lhe falta, não aproveitará o momento, o aqui e agora.
Tagore dizia: “Se à noite chorar pelo sol, não verá as estrelas”. Às vezes, o coração sabe mais ou capta mais informação que nossa sisuda razão. Não preste tanta atenção a suas falhas, tente também dirigir sua atenção a suas condutas adequadas, as que são produtivas, mesmo que não sejam perfeitas. O método que proponho é redirigir sua atenção de uma maneira mais
benevolente e equilibrada: quando se encontrar focando de modo negativo e exagerado suas “más condutas ou pensamentos”, pare! Dê um tempo e procure inclinar a balança para o outro lado. Não se deleite no sofrimento.
Seja mais benevolente com suas ações. Felizmente, você não é perfeito nem horrível, mesmo que se empenhe em ser. Não se insulte nem perca orespeito por si próprio. Anote suas autoavaliações negativas, detecte quais são justas, moderadas, objetivas e quais não são. Se descobrir que o vocabulário
que empregou para si mesmo é ofensivo, mude-o e procure qualificativos maisconstrutivos e respeitosos sobre si.
Reduza suas autoverbalizações (pensamentos sobre você) àquelas que realmente valham a pena e exerça o direito de cometer erros. Nós, seres humanos, assim como os animais, aprendemos por tentativa e erro, emboraalgumas pessoas acreditem que a aprendizagem humana deva ser por tentativa e sucesso (isso é equivocado e possivelmente fruto de uma mente narcisista).
O custo de crescer como ser humano é errar e “pisar na bola”: lei universal e inevitável. É impossível não errar de vez em quando, e, por isso, você não tem escolha além de aceitar isso humildemente e sem espernear. O que precisa entender é que os erros não o tornam melhor nem pior, simplesmente mostram-lhe novas opções e o aproximam de uma verdade que fazem lembrar que você é humano. Quando falarmos dá autoeficácia, tornaremos a abordar o medo de errar. Por enquanto, você só deve assimilar um princípio básico da saúde mental: se errar, não se castigue.
Um amor-próprio estável é preferível a um oscilante e que dependa de fatores externos (autoestima estável e regulada por si mesmo). A premissa “Se não dá certo, eu me odeio, e se dá certo, me amo” é injusta. Você faria o mesmo com um filho ou uma filha? Não faria, não é? Você os amaria apesar e acima de tudo. Você os educaria, claro, mas o afeto por eles não mudaria em função de seus resultados, não se modificaria um pingo. Se o amor que sente por si mesmo varia muito ou depende de suas façanhas e grandes conquistas, talvez você não se ame tanto. Vale a pena esclarecer que, embora uma autoestima bem constituída se mantenha no tempo e tenda a ser constante, não significa que às vezes você não vá sentir uma escalada de miniódios” passageiros por si mesmo, pelo que fez ou deixou de fazer, e pode até chegar a não se suportar durante algum tempo.Vai resmungar, brigar e discutir de si para si, mas seu valor pessoal, se realmente amar a si mesmo , nunca será posto em questão. Você se perdoará, e o amor-próprio ressurgirá com ares renovados. Porém, quando as oscilações entre o amor por si mesmo e o ódio pessoal são constantes, é preciso pedir ajuda.