Quais os seus padrões comportamentais?
Nós criamos crenças, muitas vezes limitantes a partir de nossas experiências passadas, que geram em nós um enrijecimento ao lidar com as situações de vida. A partir dessas crenças, vamos criando maneiras padronizadas de nos comportar e reagir.
Como isso acontece? Quando vivenciamos uma situação difícil e mal elaborada internamente, passamos a buscar maneiras de nos defender para não vivenciar aquela dor novamente. Para isso, lançamos mão de comportamentos aprendidos que se tornam padronizado.Nos comportamos e reagimos de maneira padronizada com o intuito inconsciente de nos defender daquele acontecimento passado. Ou seja, queremos tanto evitar passar por aquele sofrimento de novo que criamos mecanismos defensivos para tentar evitá-lo. Estes mecanismos podem ser percebidos em nosso modo de nos comportar.
Por exemplo: se você tem uma crença de que não é boa o suficiente e precisa ser perfeita para ser aceita e, com isso, amada, pode ser que se comporte de maneira a não desagradar o outro e, muitas vezes, até passe por cima de si mesma para isso. Talvez tenha dificuldade de respeitar seus limites e até de colocar limites para o outro. E pode ser que isso gere , diante de uma ameaça de rejeição, uma sensação, e um consequente comportamento, de que você é quem está errada mesmo. Este é apenas um exemplo. Uma mesma crença pode gerar comportamentos e mecanismos de defesa distintos para cada pessoa.
Toda e qualquer situação é neutra. Nós colocamos significado a partir de nossas referências passadas. Se observarmos isso, vamos perceber que a todo momento estamos interpretando e imaginando as situações de acordo com nossas próprias crenças e experiências. E, assim, sempre tentando nos defender do sofrimento relativo ao nosso ponto de dor.
Imagine que você precisa falar algo importante com alguém. Antes mesmo ir ao encontro dessa pessoa para falar o que precisa, já começa a imaginar o que vai dizer e a resposta dessa pessoa pra você. Às vezes pode pensar "Ah, nem adianta falar, já sei até como vai ser!".
Você cria um diálogo na sua cabeça e já imagina como a pessoa vai reagir. E, a partir dessa imaginação, ou desiste de falar ou vai conversar já toda armada! Chega acreditando que será daquele jeito e, a partir disso, fala de uma determinada maneira já se defendendo daquilo que acha que aquela pessoa vai dizer! Digamos que ache que ela vai ser grosseira , ao chegar para falar, você já fala de maneira agressiva se defendendo da grosseria que "sabe" que vai vir. E, a partir desse comportamento, a pessoa acaba, de fato, sendo grosseira por reagir à sua reação defensiva de algo que você apenas imaginou que pudesse acontecer.
Quais significados você tem dado para as situações? Esse é um exemplo para percebermos como nossa mente funciona e, muitas vezes, nem nos damos conta. O quanto uma situação neutra se torna cheia de significados por conta de nossas próprias interpretações baseadas em referências passadas.Desta forma, no nosso dia a dia, nós vamos interpretando e significando as situações pelas quais passamos baseada no passado na qual a crença foi criada.
E, assim, nos comportamos de maneira defensiva e padronizada por já está associando o acontecimento presente ao passado. Isso se torna uma armadilha pois, ao se defender para tentar evitar aquilo que teme acontecer, você se coloca de maneira a contribuir para que aquilo aconteça. E isso reforça ainda mais a crença limitante, virando uma bola de neve de confirmação da crença e enrijecimento da autodefesa.
Escrito por
Luisa Restelli


