O que é a desesperança aprendida?

10/02/2019 21:46

A desesperança aprendida, também chamada de desamparo aprendido, é uma condição daquele que se comporta passivamente porque assim foi ensinado. Dessa forma, essa pessoa pensa que não pode fazer nada diante de qualquer tipo de situação adversa, quando na maioria dos casos ela poderia sim reagir e superar o fato.

Essa dificuldade sempre foi muito relacionada com a depressão e outros transtornos da mente que levam o paciente a reafirmar constantemente a ideia de que não existem soluções para seus problemas, ainda que o cenário da realidade seja outro.

O que é a desesperança aprendida?

A desesperança aprendida ou desamparo aprendido é o resultado de estímulos negativos ou aversivos, geralmente incontroláveis, que acabam gerando uma carência de iniciativa por parte de quem os sofre.

Portanto, não é o estresse que vai ocasionar o desenvolvimento da desesperança, mas sim a impossibilidade de controlar o que está desencadeando o estresse. Essa dinâmica surge, por exemplo, em famílias com pais autoritários de forma muito frequente. Isso porque os filhos acabam aceitando todo tipo de situação (também fora de casa) por sentirem que não vale a pena tentar mudá-las ou controlá-las.

Essa enxurrada de situações negativas não só gera uma falta de capacidade de tomar iniciativamas muitas vezes também nos deparamos com pessoas que não são capazes de aprender novos comportamentos. Seu estado será de desmotivação e apatia mesmo que mentalmente elas não estejam tranquilas.

Mulher vítima da desesperança aprendida

 

O que causa a desesperança aprendida?

Como seu nome indica, esse estado se “aprende”. Isso quer dizer que como humanos tendemos a estudar cautelosamente as consequências das nossas ações, deixando de realizar os comportamentos que acabam gerando consequências negativas e abraçando aqueles que nos trazem consequências positivas.

Isso pode parecer benéfico para nós, mas nem sempre é assim. Por exemplo, quando uma criança vai mal em uma prova de matemática e sabe que na sua casa sofrerá uma punição severa, nem por isso ela começará a ir bem em matemática. Ao contrário, ela provavelmente buscará meios de não ir às aulas e provas, e acreditará que nunca será capaz de aprender essa matéria.

Se a situação persistisse, a criança estaria se expondo continuamente a um fator de ansiedade e tristeza, um quadro muito relacionado com a depressão – e que possivelmente levará a criança a desenvolver esse transtorno.

Como tratar os sintomas?

Para tentar controlar e curar esse transtorno, é muito importante procurar um especialista que nos ajude a entender o que está acontecendo e como podemos abordar a situação. Nunca devemos nos autodiagnosticar, por mais evidente que os sintomas pareçam para nós.

Como complemento a um tratamento e alguns exercícios recomendados pelo psicólogo ou pelo psiquiatra, podemos nos ajudar e tentar progredir seguindo algumas dicas:

  • Envolva seus familiares queridos: se você suspeita de que você ou algum dos seus entes queridos está sofrendo de desesperança aprendida, não fique quieto. Pode ser que eles estejam causando o seu problema e que vocês precisem de uma terapia em grupo. Caso não sejam parte do problema, poderão apoiá-lo em seu caminho em direção à melhora.
  • Coloque suas emoções no papel: pode parecer estranho, mas você pode escrever um diário ou simplesmente organizar pontos no bloco de notas do seu celular a respeito de como você se sente em determinadas situações. Releia essas linhas. Isso pode te ajudar a discernir entre o que é uma causa razoável e outras não razoáveis de estresse.
  • Assuma desafios que você sabe que são solucionáveis: tanto por causa de incertezas que podemos ter, quanto devido à existência de fatos muitas vezes incontroláveis, podemos ter aprendido o desamparo. Trace desafios que sejam possíveis na sua vida. Pode parecer algo ridículo, mas isso melhorará sua autoestima e iniciativa.
  • Pergunte-se sempre três coisas diante de um problema: Como eu posso evitá-lo? O que eu aprendi com essa situação? Existem outras soluções que não me ocorreram? Diante de um problema já ocorrido e finalizado, é útil imaginar um cenário no qual ele ainda não terminou para poder pensar sem estresse nas soluções que poderíamos ter dado a ele.
  • Pense em você: muitas vezes as pessoas têm uma desesperança aprendida porque estão desconectadas de si mesmas e não ligam mais para os seus pensamentos, importando-se mais com as consequências de seus atos e em agradar aos demais. É importante refletir sobre nós, nosso interior, e ter sempre um momento para ficar sozinho e curtir a própria companhia.
Mulher em paz consigo mesma

 

É fundamental ser paciente

A desesperança aprendida tem cura. Ainda que pareça complexo eimpossível, sempre podemos contar com ajuda. Seja essa ajuda de um profissional, seja o apoio familiar ou de um amigo, a verdade é que nunca estamos sozinhos.

É importante também, por sua vez, ter paciência. Entender que um comportamento aprendido, provavelmente desde a infância, não é nada fácil de ser modificado e superado. Não é justo consigo mesmo cobrar rapidez; dê-se todo o tempo que precisar.

O desamparo aprendido é um dos estados mais angustiantes em que podemos cair. É o melhor caldo de cultivo para desenvolver sintomas de ansiedade e depressão. Além disso, é uma consequência e, ao mesmo tempo, uma causa da falta de assertividade (“Por que causar um conflito expressando nossa opinião ou nossos gostos se não será útil para nada?”), nos transformando em corpos vazios com uma alma apagada para lutar.

Esta condição poderia ser resumida em “o que quer que você faça, estará errado”. Ou o que quer que você faça, não importa, você não resolverá nada. O resultado sempre será o mesmo. É aí que surge o desamparo aprendido. Desamparo que aprendemos como resultado de ter tentado diferentes maneiras de agir e comprovar que estas não têm qualquer tipo de associação com o resultado que obtemos. Assim, não é apenas um conjunto de respostas extinguidas, a própria iniciativa de responder acaba desaparecendo.

 

Talvez você já tenha se visto neste tipo de situação. No trabalho, com um parceiro ou em algum ambiente em que você convive. Neste ambiente, há uma pessoa que é quem julga se o que você faz é certo ou não. Não há bom senso. Não há coerência. O que você faz, seja como for, quase sempre estará errado e nas vezes em que estiver tudo certo, você não terá ideia de como ou por que está certo, de modo que não consegue repetir isso, não importa o quanto tente.

O desamparo aprendido nos leva a desistir do controle

De alguma forma, por trás dessa atitude estamos ouvindo algo como “Eu sou quem julga o que você faz. Dito minhas próprias leis. Agora sim, agora não. Porque eu disse”. As pessoas que causam o desamparo aprendido são aquelas que, tendo influência sobre o outro, fazem um juízo de valor (está certo ou está errado), sem explicá-lo.

Mulher presa em gaiola

 

Então… que leitura faz uma pessoa quando recebe tudo isso? Que não vale a pena fazer um esforço para um resultado que, a seus olhos, é praticamente aleatório. A sensação é a de que, faça o que for, você não pode aumentar o controle sobre o que acontece.

Essa falta de controle sobre o que nos acontece é angustiante e muito limitante uma vez que, aparentemente, não podemos revertê-la. Por exemplo, esta é a semente de muitos abusos emocionais. “Eu decido como você vai se sentir. Você não decide. Você não tem controle, eu tenho”.

Embora a solução seja fugir, o desamparo aprendido nos impede

Martin Seligman descobriu esse fenômeno nos anos 70. Em um experimento que hoje não poderia ser feito devido às suas implicações éticas (como muitos outros na história da psicologia), demonstrou que os cães, quando submetidos a choques, independentemente de suas tentativas de escapar, acabavam adotando uma atitude passiva em relação a eles e se resignando a sofrer em silêncio.

Rapidamente observou-se nesse fenômeno um paralelismo com as causas e as atitudes de muitas pessoas que caem no poço da depressãoA ansiedade, a depressão, a falta absoluta de motivação acabam por controlar a atitude e o comportamento da pessoa, até levá-la à passividade mais absoluta.

Assim, se aparece uma oportunidade de mudar o curso da situação, eles não a verão ou passarão por ela. Sua fé e sua esperança desaparecem porque sentem que qualquer coisa que fizerem com o leme, escolham a direção que escolherem, continuarão sem avistar a terra.

Esse fenômeno psicológico é muito poderoso já que sequestra totalmente nossa capacidade de agir. Sequestra nossa criatividade para gerar outras alternativas e resolver os problemas. Isso nos torna incapazes de ver soluções para o nosso problema. Embora sejam soluções óbvias, como tentar escapar de um “lugar” no qual nos feriram.

O desamparo se apodera de nossos pensamentos, comportamentos e emoções

Por isso, muitas pessoas se sentem incapazes de deixar uma situação que está lhes prejudicando. Porque estão totalmente condicionados por esse desamparo que aprenderam. Desamparo que se apodera dos pensamentos, condutas e emoções daqueles que o internalizaram.

Para romper essa espiral que fica cada vez maior e mais profunda em muitas ocasiões, é necessário ir até a raiz do problema. Não podemos ficar na superfície e resolver as pequenas consequências desse fenômeno.

Mulher entortando grades

 

A pessoa não quer se sentir assim. Ela não procurou se sentir desse jeito.Portanto, essa pessoa deve entender o que a levou a pensar assim, como acabou entregando o controle sobre o que lhe acontecia. O objetivo será empoderá-la, devolver-lhe o controle sobre sobre a sua própria vida.

Um controle que perdeu há muito tempo. Que deu ao destino ou a quem a maltratou, com suas duplas mensagens carregadas de incoerência e falta de bom senso. Mas esse controle sobre sua própria vida é seu, e nós temos que trabalhar para devolvê-lo. Entender o que aconteceu e aceitar é o primeiro passo nesse caminho. Um caminho no qual cada um se torna seu próprio proprietário, do que um dia deixou em mãos que não eram suas.

Muitas vezes os meios de comunicação fazem referência ao número de denúncias que aconteceram em um período de tempo ou à quantidade de vítimas de maus-tratos que morrem nas mãos de seus companheiros. No entanto, a situação envolve muito mais para quem sofre e, por outro lado, nem todos os casos estão incluídos nas cifras estatísticas (falsos positivos e falsos negativos).

Não costumam falar das surras ou dos hematomas, menos ainda das feridas que não se veem. Porque os maus-tratos não machucam apenas o corpo. Quando alguém está em uma relação de maus-tratos é normal que apareça um grande mal-estar psicológico que está ali e que precisa ser remediado, começando por dar voz às pessoas que tantas vezes foram silenciadas.

“Continua me causando surpresa que existam pessoas, seres humanos como nós, que sejam capazes de, com absoluta consciência e de maneira decidida, fazer mal de modo contínuo e sistemático. Ainda mais quando, além disso, conseguem que a vítima se transforme em um ser fraco, bastante vulnerável”.
-Maria José Rodríguez de Armenta-

O transtorno de estresse pós-traumático nas vítimas de maus-tratos

Quando falamos em estresse pós-traumático costumamos a associá-lo a desastres naturais, roubos, assassinatos, guerras ou atentados. Mas não aos maus-tratos, quando eles também podem ser explicados nesse âmbito. Na verdade, esse transtorno se caracteriza por voltar a experimentar o evento, pela ausência de tranquilidade e a tentativa infrutífera de esquecer, sintomas que se observam muitas vezes nas vítimas de violência de gênero.

O transtorno de estresse pós-traumático nessas pessoas tem características muito específicas. Por um lado, é normal voltar a sofrer os eventos traumáticos em qualquer momento, e, ainda por cima, com seu companheiro. Isso faz com que ela esteja alerta e em constante vigilância, já que quem provoca o dano é justamente quem deveria apoiar e proteger.

Por outro lado, o trauma vai destruindo o estado emocional das pessoas que sofrem pouco a pouco, já que costumam tardar anos para pedir ajuda. Na verdade, é comum continuar com o agressor para evitar uma nova agressão, por isso a vítima muitas vezes entende que não existe solução possível para a situação (desamparo aprendido, abandono).

Vítimas de maus-tratos

 

A síndrome da mulher maltratada

O fato de acreditar que não existe solução para aquilo que acontece com elas, ou seja, entrar em situação de desamparo aprendido, pode derivar também na síndrome da mulher maltratada. A vítima se adapta à situação que está vivendo e minimiza a dor. Mas não é só isso, também distorce a realidade, negando ou diminuindo a gravidade do problema que sofre.

Além do mais, pode mudar a forma como percebe os outros e a si mesma. Nesse sentido, pode enganar a si mesma e idealizar o agressor, se convencendo de que ele deixará de agredi-la porque está apaixonado por ela. Na verdade, pode chegar a perdoá-lo e culpar a si mesma pela situação que está vivendo, chegando a pensar que é o tratamento que merece.

Os maus-tratos e a depressão

As vítimas de maus-tratos costumam ter baixa autoestima, mas também costumam ficar isoladas, o que faz com que não obtenham apoio social nem reforço emocional positivo. Tudo isso vai debilitando ainda mais a pessoa, o que pode levá-la a cair em depressão.

Esse transtorno faz com que a vítima tenha dificuldades para tomar decisões e se concentrar, além de produzir uma deterioração no rendimento profissional e o aumento da sua insegurança. A mulher entra em um círculo vicioso em que cada vez é mais difícil sair da situação de maus-tratos.

A depressão tem outra consequência: o suicídio. Em diversos estudos observou-se que 29% das mulheres internadas em urgências hospitalares por tentativa de suicídio eram vítimas de maus-tratos. Na verdade, a probabilidade de suicídio entre mulheres maltratadas é cinco vezes maior que no resto da população.

“Esta ânsia emocional de domínio, de controle e de poder sobre a outra pessoa é a principal força que alimenta a violência doméstica entre os casais”.
-Luis Rojas Marcos-

Vítimas de maus-tratos

 

A ansiedade associada aos maus-tratos

Como seria de imaginar, os transtornos de ansiedade também têm uma incidência maior entre as pessoas maltratadas se comparadas com as demais mulheres. Além do transtorno de estresse pós-traumático já mencionado, também se descobriu que são maiores as fobias, a agorafobia, o transtorno de ansiedade generalizada e o transtorno obsessivo compulsivo.

Este último aparece como uma tentativa para controlar a ansiedade que aparece frente a uma situação tão imprevisível. Dessa maneira, aparecem pensamentos obsessivos sobre o agressor, como também condutas compulsivas para tentar reduzir a ansiedade que é gerada com as frases que aparecem em sua mente.

“Frente as atrocidades nós temos que tomar partido. O silêncio estimula o carrasco”.
-Elie Wiesel-

agressor exerce o seu poder e força sobre as suas vítimas de uma forma que termina destruindo o outro, e ele atua tanto por fora quanto por dentro. A nível psicológico, os maus-tratos deixam uma marca na pessoa maltratada que tem consequências ruins, por isso é importante prestar atenção e oferecer uma saída possível para a situação em que ela se encontra.

Infelizmente, os maus-tratos estão muito presentes no nosso dia a dia.Recebemos notícias constantes de mulheres assassinadas pelas mãos de seus parceiros ou ex-parceiros. Em alguns casos, o agressor a encontrou, mesmo que não estivessem juntos. Mas também há vezes em que a vítima se encontra com essa pessoa diversas vezes, ou pode ser que nunca tenha deixado o relacionamento. Afinal, por que é tão difícil escapar de uma situação de maus-tratos?

Isso é difícil de entender para muitas pessoas. É normal ouvir: “Se te faz tão mal, por que você volta ou continua com isso?” A realidade não é tão simples. Não quer dizer que essas mulheres sejam culpadas, mas que se envolveram em uma série de processos que tornaram difícil escapar dessa situação de abuso… Continue lendo para entender e assim poder ajudá-las melhor!

 

“Esse desejo irracional pelo domínio, controle e poder sobre a outra pessoa é a principal força que alimenta a violência doméstica entre os casais.”
-Luis Rojas Marcos-

Como escapar de uma situação de maus-tratos?

 

A dependência emocional no abuso

Em um relacionamento, o normal é se sentir amado pela outra pessoa. Então, como poderíamos definir a dependência emocional? Esta seria uma necessidade extrema de afeto por parte do casal que alimenta pensamentos obsessivos sobre a outra pessoa e constantes sentimentos de abandono, o que faria a pessoa se comportar de forma submissa para não perder o seu amado.

Assim, se prioriza o parceiro sobre qualquer coisa ou pessoa (inclusive sobre si mesma), o idealizando. Desta forma, se destacam as qualidades favoráveis que tenha ​​(mesmo que sejam poucas) e se oculta ou dissimula a crueldade e agressividade que manifestar. Além disso, se assumem as crenças do agressor de que ele é superior no relacionamento.

A isso se adiciona o medo do rompimento. Isso cria uma ansiedade de separação que faz com que a vítima acredite que o pior que pode acontecer com ela é que o relacionamento termine e ela fique sozinha, então fará qualquer coisa para que isso não aconteça. Tudo o que foi mencionado é aumentado, uma vez que o abuso é constante, por períodos em que o agressor se arrepende e é agradável para tentar “compensar” o dano causado.

“Tememos a violência menos do que os nossos próprios sentimentos. A dor pessoal, privada e solitária é mais aterrorizante do que qualquer pessoa pode infligir.”
-Jim Morrison-

Assim, as vítimas nesta situação podem chegar a culpar a si mesmas pelas agressões que recebem. Em um esquema de pensamento no qual assumem que seu parceiro é amável e afetuoso, não é possível que este se comporte de maneira violenta, de modo que quando isso ocorre, procuram uma causa e, geralmente, apontam para elas. Desta forma, elas não se veem como vítimas, mas como culpadas ou responsáveis.

Assim, se estabelece um relacionamento no qual acontecem agressões que causam terror e medo, e bons momentos que geram uma sensação de alívio. Neste contraste, o normal é que a vítima faça todo o possível para que predominem os segundos momentos, embora no caminho, pouco a pouco, vá enterrando a si mesma.

Mulher que não sabe como escapar de uma situação de maus-tratos

 

Outros fatores que fazem com que seja difícil escapar de uma situação de maus-tratos

Em tudo o que foi falado até agora pode ser identificado outro fator que faz com que a vítima não consiga escapar de uma situação de maus-tratos: a baixa autoestimaEla vê a si mesma como uma pessoa que não é capaz de fazer as coisas bem ou de se defender. Além disso, é algo que o agressor continua lhe repetindo. “Você não serve para nada” é uma frase comum quando ele exerce violência verbal.

Mas não exerce somente a violência física ou psicológica contra a vítima, também é comum tirar a vítima de seu apoio social. Este isolamento da vítima, que tanto favorece os interesses do agressor, faz com que sua dependência seja mantida ou mesmo aumentada. O objetivo final desta estratégia é que a vítima não tenha com quem falar ou para quem pedir ajuda.

Neste horizonte, encontramos o desamparo aprendido. A vítima vai perdendo gradualmente grande parte de seu poder e liberdade, e acaba percebendo que não há nada que possa fazer para mudar. Assim, o desespero reina em sua vida e ela não vê nenhuma saída possível. Por isso é tão difícil escapar de uma situação de maus-tratos.

“É abuso qualquer comportamento destinado a controlar e subjugar outro ser humano através do uso do medo e da humilhação, e utilizando ataques físicos ou verbais.”
-Susan Forward-

Imagens cortesia de Misael Nevarez, Volkan Olmez e Xavier Sotomayor.

Os maus-tratos são situações que podem surgir de diversas formas em nosso dia a dia. Talvez venham de seu companheiro, um amigo ou um colega de trabalho, alguém que não saiba lidar com você sem machucá-lo.

Isso é algo que você pode evitar, porque não é fácil maltratar algumas pessoas. Os agressores escolhem aquelas mais “frágeis”, mais inseguras e que não sabem responder quando estão em uma situação que foge do seu controle.

“Os maus-tratos são descritos com palavras como submissão, humilhação, domínio, medo, escravidão.”
-Juan Antonio Cobo Plana-

Quer aprender a responder ou reagir diante uma situação de maus-tratos? Quer pôr um fim, mas tem medo? Não se submeta a isso, não aceite o que não quer. Hoje é o dia de evitar os maus-tratos.

Conselhos para evitar os maus-tratos

1. Responda corretamente

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Uma resposta adequada pode evitar que essa pessoa siga machucando-o, mas como você pode fazer isso? Nem sempre temos a coragem necessária, mas é preciso encontrar forças, de onde quer que seja, e saber responder.

Às vezes permitimos que nos maltratem (da forma que seja) porque nossa maneira de agir não é a mais correta. Responda corretamente dessas duas maneiras: A primeira forma de responder é usar frases de encerramento, frases curtas, concisas e breves que vão acompanhadas de uma firmeza e segurança palpáveis, por exemplo:

  • Desculpe, as cinco tenho que ir.
  • Hoje não posso, desculpe.
  • Tenho outras prioridades no momento.
  • O que você disse é muito interessante, vou refletir sobre o tema.
  • Gostaria de pensar sobre isso.

Algumas podem parecer um pouco limitantes, mas se queremos evitar que nos maltratem de uma ou de outra maneira, temos muitas vezes que mudar nossa posição amável para uma mais firme.

A segunda forma de responder é fazê-lo como um disco arranhado. A força decorrente de repetirmos a mesma coisa continuamente fará com que o outro seja consciente da nossa posição, e assim reafirmaremos o que realmente não queremos que se repita.

2. Proteja seu senso de humor

Ninguém tem o direito de apagar um sorriso. Ainda que esteja em uma situação difícil, levante-se com um sorriso; isso irá ajudá-lo a não dar importância ao que os outros possam dizer. A chave está em conhecer a si mesmo. Saber no que você é bom e no que não é, quais são seus pontos fortes e quais os fracos, saber do que precisa, mas também o que você possui.

Se você está seguro de si mesmo, ninguém poderá rebaixá-lo. Qualquer palavra ou comentário maldoso que podem dizer passará como se nada tivesse acontecido. Você sabe quem é, ninguém deve defini-lo! Sorria diante das coisas que podem lhe dizer com o objetivo de humilhar ou rebaixar. Você sabe a verdade. Eles também sabem, mas tentam feri-lo independentemente disso.

“A melhor forma de vencer as dificuldades é atacando-as com um magnífico sorriso.”
-Robert Baden-Powell-

3. Diga o que sente

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Por que você fica calado quando tem tanta vontade de dizer o que sente? Por que tem medo? O medo, além de nos dominar, faz com que não digamos o que pensamos. Provavelmente você sente medo de que possam feri-lo, mas não tenha dúvida de que dizer o que pensa é o certo. Aprenda a dizer o que sente, aprenda a se expressar. Isso fará você mais forte e evitará que o machuquem.

Se você não está gostando do tom de voz que estão usando com você, diga! Se não gosta de como estão agindo, apenas diga! O que há de errado nisso? Aprenda a se expressar. Se os outros têm a ousadia de atacá-lo, você tem todo o direito de se defender.

4. Pergunte, não afirme!

Quando alguém que maltrata nos diz algo, somente ficamos calados. Dessa maneira, estamos afirmando o que estão dizendo, ainda que não concordemos com eles. O silêncio, nesses casos, vai contra nós.

Por isso, hoje você deve aprender a questionar o que lhe dizem, fazendo com que o agressor tenha que ampliar seus argumentos. Mas, sabe de uma coisa? Você não vai conseguir fazer isso direito. O agressor responderá que “porque sim”, mas você deve forçar a situação e fazer com que ele argumente, pois não tem sentido.

Desta forma, não se humilhe, não se dê por vencido. Fique no mesmo nível dessa pessoa, permitindo que explique algo que não pode explicar. Assim você saberá que ela não tem razão e, portanto, não poderá lhe causar danos.

5. Desarme seu agressor

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Quer saber como você pode desarmar a pessoa que o maltrata? É simples, você só tem que fazer um bloqueio e saber como não responder. Vimos uma dessas coisas anteriormente, mas existem muitas mais:

  • Convide-a a refletir para mostrar que ela não tem razão.
  • Use palavras monossilábicas que impeçam que você entre no jogo dela.
  • Fale em tom baixo e devagar, pois se ela já está gritando, não é preciso fazer o mesmo. Mostre-se tranquilo.
  • Aborreça-a! Da maneira que for, responda como se você fosse um papagaio.
  • Responda-a com um “e?”.

O que acontece quando agimos assim? Elas nos deixam em paz. Se quando nos dizem “essas cores não combinam, está horrível!” respondemos com um “e?”, o agressor se chocará contra um muro. Lembre-se de que essas pessoas  se alimentam da sua submissão.

Livre-se dos maus-tratos! Não importa o que lhe dizem ou como dizem. Não importa como o definem. Você sabe quem é e deve se defender.

O agressor é uma pessoa insegura que acredita se sentir segura humilhando os demais. Não permita isso. Em você reside a opção de que o maltratem ou não, seja em uma relação amorosa, na escola ou no trabalho.

Imagens por cortesia de Angela Carte, Gustav Klim