O livro é um registro.
E estamos falando de um período em que ser letrado era sinônimo de ter poder, ou de pertencer, ao menos, a uma classe de poder. Mas o livro também é comunicação – há livros para os outros lerem, há os livros para o autor apenas ler, refletindo sobre o seu passado. Mas todo livro pressupõe um leitor.
É estranho, para nós, homens e mulheres do século XXI, tendo acesso a tantas mídias, pensarmos no livro como um segredo. Hoje contamos com tantos instrumentos para produzir e guardar informação, que por vezes nos esquecemos que essas mídias são deveras recentes. Não mais que quinze anos atrás, utilizávamos ainda disquetes, fitas cassetes, máquinas fotográficas tradicionais, com filme, eram a opção mais viável, VHS convivia pacificamente com os DVDs nas locadoras, 32 bits eram um sonho de interface nos videogames... Contudo, pensemos nos diários do século XIX, o espaço de intimidade e sonhos das mulheres, em busca de uma identidade ainda em construção.
Da mesma forma, pensemos que, para um analfabeto, o código ali escrito não lhe esclarece nada, ainda que esteja claro para um leitor alfabetizado. Ou mesmo que não analfabeto, um livro em outra língua traria o mesmo problema. Então, aqui o segredo corresponde a não compreensão de um código específico, ou mesmo uma informação pertinente que encaixa as pedras no tabuleiro ainda não chegou ao consulente. Os “conhecimentos que desvendam segredos”.
As grandes religiões monoteístas do Ocidente são religiões do livro. O Judaísmo possui a Torá; o Cristianismo, a Bíblia; o Islamismo, o Corão. Os livros garantem que o texto original não seja perdido – ainda que permitam a interpretação dos mesmos por seus sacerdotes. A interpretação, contudo, se adequa à época, ao grupo que lê, à forma como o sacerdote apresenta o texto. O texto não muda, e se permite novas leituras e interpretações futuras – algo mais complexo se estivéssemos lidando com uma tradição oral. Talvez por isso, ou justamente por isso, na iconografia cristã, o livro é o atributo de todos os Santos Doutores da Igreja.
Saber ler e escrever era tão importante que haviam profissionais específicos para lidar com a escrita: copidesques e escrivães. A escrita, inclusive, foi elevada ao status de arte no medievo pela Igreja Católica, com as iluminuras de seus livros. Talvez por isso essa carta também tenha sido correlacionada com a profissão. Nessa carta, vemos o trabalho do consulente, o emprego, os negócios; investimentos veremos na carta 34.
Dessa forma, quando sai num jogo, o livro aponta para questões que demandam maior entendimento e questionamento daquilo que se sabe atualmente.
Em tempo: Pepi Valderrama lançou seu Mystic d'Époque Petit Lenormand. Para baixar uma versão de avaliação, clique aqui.
Abraços a todos.







