Mulheres que não conseguem ficar sozinhas

19/02/2012 13:18

 

Porque algumas mulheres não conseguem ficar sozinhas e acabam emendando um relacionamento no outro? Veja o que a psicóloga Estela Noronha tem a dizer nesta entrevista:

 

 

-O que significa o fato da mulher não conseguir ficar sozinha, precisar sempre ter alguém do lado?

Pode significar alguns fatores. Pode estar, por exemplo, sinalizando que ela perdeu o sentido de sua vida. Ou mesmo, que ela não o descobriu. E o não descobrir-se leva em conta inclusive a educação e o sistema em que ela foi criada. Essa mulher pode estar se sentido depressiva e fragilizada por algum motivo, e  portanto, dependente emocionalmente. Algumas pessoas só se sentem inteiras, completas, estando ao lado de alguém, como se esse alguém fosse o responsável pela sua felicidade, o que não é verdade. Porque estar com um companheiro é "estar com"  e não "estar para".  O outro deve ser para a mulher o companheiro de jornada e não o seu realizador.

 

- É comum mulheres que sofrem por estarem sozinhas?

É comum principalmente, para aquelas mulheres que não possuem vida própria. Que construiu sua rotina exclusivamente em função do companheiro. 

 

- A mulher que não sabe ficar só deve ser considerado como um problema?

O que faz uma situação tornar-se um problema ou não, é o "tom" que você dá a questão. Explicando melhor: se a mulher  fez da vida do marido ou companheiro a sua vida e esqueceu-se de si, dos seus anseios, dos seus sonhos e de suas realizações pessoais, aí torna-se um problema. Porque ao perder o outro, perde o significado de sua vida. Vem o vazio e a necessidade de ter sempre alguém ao seu lado, no anseio de preencher a lacuna deixada pelo relacionamento anterior.

   

- Se sim, qual a melhor forma de tratá-lo?

Com um trabalho de recuperação da auto-estima e do autoconhecimento. A mulher nunca deve esquecer que ela também é um indivíduo na relação a dois, com anseios e prioridades. Ela pode e deve se doar para a relação, mas nunca se esquecer de si. Portanto, a melhor forma de tratar-se é se reconectanto consigo mesma, o que é feito de forma maravilhosa através da p sicanálise . Procurando sua satisfação, redescobrindo as coisas que lhe dão sentido na vida.

 

- Isso é mais comum entre as mulheres?

Dessa forma sim. Mas, a versão masculina dessa dependência, acontece quando o homem busca na sua companheira um ideal de mulher parecido com sua mãe. São aqueles sujeitos que esperam que sua companheira cuide deles como a sua mãe cuidaria. Ou seja, não estão em busca de uma mulher na relação, mas de uma mãe mais nova, cuidadora e provedora.  

 

- Ainda existe a cultura de que “nada melhor que um novo amor para esquecer o antigo?” Se sim, isso realmente funciona?

Existe sim e às vezes funciona. Então esta é a formula correta, a formula mágica? Não, não é.  Na teoria  deveríamos elaborar emocionalmente a perda do par amoroso para não cometermos os mesmos erros ou fazer do próximo parceiro  o "limão amargo" de nossas vidas. Ou ainda, para entrarmos mais inteiros e aptos para a relação seguinte. Mas, isso é apenas teoria, que serve a priori, apenas como um norte. Na vida amorosa, vale muito mais a intuição, a oportunidade de estar na hora e no lugar certo, o arriscar-se, do que a racionalização mental do que é certo e errado. Relacionar-se é  uma aventura. Uma ótima aventura. 

 

Preciso que cuidem de mim

 
Vamos falar das pessoas Dependentes. Aqueles que acreditam que não conseguem viver se não tiverem alguém que diga o que vestir, o que comer, onde ir, com quem falar, como decorar sua própria casa.
Os dependentes são pessoas submissas e morrem de medo de se separarem daqueles que cuidam dele. Acham que vão morrer, não porque sentirão saudades da pessoa, mas sentirão que não terão como escolher e viver sua própria vida sem ter quem diga como.
Não conseguem tomar decisões, pedem conselhos o tempo todo. O que algumas vezes faz a pessoa que dá os conselhos se sentir envaidecida, ela se sente útil e não percebe que só está perpetuando a insegurança deste dependente.
Uma frase que já ouvi de um de meus paciente me chocou muito, mas é muito mais comum do que parece: “Eu deixo que os outros escolham pra mim, assim se alguma coisa der errado eu ainda fico bem na fita”. Ou seja, ela prefere se dar mal a tentar escolher por si mesma. Claro que esta é uma falsa segurança e falso sentimento de que “está tudo bem”.
São pessoas que não conseguem dizer ao colega que não concorda com a opinião dele, pois tem muito medo de que se fizer isso o outro passará a não gostar dele. Isso não significa que quando você discorda de alguém terá que falar de qualquer jeito, claro que muitas vezes percebemos que não é hora de abrir a boca e escolhemos a pessoa e o momento adequado. O dependente não dá sua opinião nem quando é a o momento certo, come o que não pode porque não consegue dizer ao anfitrião que tem alergia à camarão. Imagine os resultados.
Esta é uma pessoa sem iniciativa. Não sabe pensar por si só, ver o que lhe agrada de verdade e fazer as coisas por si mesmo. Não que não tenha energia, tem sim, e muita, mas tem medo de se arriscar em um projeto de sua autoria.
Aceita até atividades muito desagradáveis para ser querido pelas pessoas.
Não sabe ficar sozinho, em casa ou ficar sem um relacionamento, e com isso pode permanecer num relacionamento destrutivo por muito tempo, pois acha que não pode cuidar de si mesmo. Quando termina um relacionamento se desespera para entrar em outro, não tem critério algum de escolha.
 
Vencer sua dependência é fundamental para ser feliz e finalmente viver sua própria vida.