Logoterapia: estratégias diretivas
Nesse sentido, o que define o logoterapeuta é mais a sua atitude, "a qual pode ser complementada por qualquer escola psicoterápica". No entanto, em contraste com outras linhas de análise existencial, a logoterapia oferece algumas práticas para aliviar os sintomas dos pacientes. Não chegam a ser técnicas sistematizadas, mas algumas estratégias diretivas. São elas basicamente cinco manobras:
Ela pode ser descrita como uma tentativa de distrair a atenção do analisando, deslocando-a do foco de seu sintoma para algo mais importante no contexto de sua vida futura. Comumente são dificuldades para vivenciar o prazer da esfera da sexualidade. A derreflexão atua rompendo o círculo retroalimentado formado pela hiperintenção (a busca exagerada) de conseguir o prazer que desencadeia uma hiperreflexão (a atenção exagerada) no mesmo sentido, fechando-se um ciclo obsessivo que anula toda e qualquer espontaneidade impedindo o evento tão desejado. Com a derreflexão, mobiliza-se a atenção do paciente, que está rigidamente presa ao alvo do sintoma, deslocando-a para algo pleno de significado em sua existência, minimizando assim a importância do evento em si, naquele aqui e agora, e quebrando-se o circuito fechado descrito.
Consiste em apelar-se para a porção sadia do paciente, a qual sempre existe, pois nunca um mal psíquico nos atinge totalmente. Assim, é um recurso técnico pelo qual reavivamos, como um fole na lareira, as emoções e sentimentos do cliente em estado de transtorno psíquico, resgatando-lhe sua capacidade de sentir, sua humanidade oculta pela mal-estar, seu estrato noético, o mais elevado de todos da personalidade. Se o paciente chorar ou sorrir, enaltecemos estas demonstrações como sendo as mais adequadas possíveis àquela sua situação existencial, que por si já mostram sua coragem diante de todo o sofrimento vivido.
É oferecer condições ao analisando de ampliar seu autoconhecimento, permitindo-lhe que entre em contato com sua mais pura humanidade, seu estrato noético, resgatando seu potencial no sentido de atingir a direção que pretenda dar à sua existência.
Essa é a essência substancial da logoterapia, que afasta o cliente de seus sintomas, fortalece-o para criar e assumir novas posturas diante de sua existência, denuncia o fato de que ele está superando suas queixas, e permite que o ato terapêutico promova o reencontro do sentido de vida daquele paciente.
Em cada situação-limite do cliente, situações estas que são irremediáveis e inadiáveis, e que em geral o deixam paralisado, como no caso de um divórcio, um aborto, abrir uma falência, romper uma amizade antiga, confessar uma falta cometida, abandonar os estudos, mudança de cidade, de país, de profissão, de preferência sexual etc., enfim, situações que exigem decisões de grande porte, esta técnica pede ao terapeuta que examine cada situação, fazendo, junto com o analisando, um criterioso balanço de livro-caixa existencial, em termos de perdas e ganhos, para promover ao cliente condições de tomada de decisão consciente quanto às possíveis conseqüências, a menos nociva a si e aos outros, e, acima de tudo, com total compromisso de responsabilidade.
Até certo ponto, todo tratamento, seja ele químico (alopático), físico (homeopático, acupuntura, vibracional) ou psíquico, carrega sempre consigo uma dose ponderável de efeito placebo. É inegável que a confiança (ou fé?) no profissional contribui para este efeito. O mesmo fármaco dado por médicos diferentes, ao mesmo paciente, tem efeitos diferentes. Portanto, não estamos desqualificando a fé de um modo geral, mas, pelo contrário, ela tem de existir. Apenas, não é necessário que seja uma fé ligada a alguma religião que conste nos catálogos.
Em nosso ofício podemos considerar como sinônimos as palavras: fé, crença, esperança, confiança, segurança, seja para com os deuses, para com os homens, ou para com os remédios.
O berço da logoterapia no Brasil foi Porto Alegre-RS. Lá se realizou o I Encontro Latino-Americano Humanístico-Existencial, com a presença de Viktor Frankl, promovido pela Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre, em abril de 1984. Esta Universidade é ainda a primeira da América Latina a criar um curso de pós-graduação em Logoterapia. Também em Porto Alegre foi criado um Curso de Formação em Logoterapia com etapas de uma semana de duração a cada semestre. O Curso de Formação e o de pós-graduação são ministrados por professores argentinos e brasileiros sob a coordenação da Sociedade Brasileira de Logoterapia e Sociedade Latino-Americana de Logoterapia, com sede em Buenos Aires.


