Influencia dos pais
Os pais exercem influência em nossa personalidade?
Até que momento da vida se verifica a influência ? Somos herdeiros do que é ruim ou o comportamento pode ser desvio do nosso caráter?
PSICÓLOGO : Nossa personalidade é o resultado da influencia de:
Genética
Ambiente, e
Você mesmo.
Genética: Há evidências bastante fortes de que boa parte de nosso comportamento é determinada geneticamente. Gêmeos idênticos criados separados, por exemplo, quando um sofre de depressão há grande probabilidade do outro também sofrer. Filhos de pais depressivos tem mais chance de ser depressivo, etc.
Ambiente: Aí entra com muita força a influência dos pais. Tudo o que eles ensinaram de forma intencional ou não, falando ou demonstrando, vai formando a sua personalidade. Mas não só os pais, tudo o que você vive na primeira infância, principalmente, é muito importante para a formação da sua personalidade, então professores, tios, colegas, todos tem importância.
E por fim você mesmo: Ou seja, por mais que tenha vivido desta ou daquela forma, a sua cabeça tem uma boa independência. Ou seja, as sua conclusões, interpretações, percepções são individuais e você tem boa dose de responsabilidade pelo que se tornou.
Entrevista cedida pela psicóloga Marisa de Abreu para o portal Bolsa de Mulher
Divorcio e influência para a criança
1 - Que impactos negativos o divórcio pode trazer aos filhos?
PSICÓLOGO : A criança poderá sentir saudades de um dos pais quando estiver com o outro. Ou poderá sentir muitas saudades do aconchego e segurança que sentia quando via os pais juntos o que poderá trazer insegurança quanto ao seu próprio destino e cuidados.
2 - Eles variam dependendo da idade? Qual faixa etária está mais propensa a sofrer com a separação?
PSICÓLOGO : Sim, percebemos que os bebes não sofrerão tanto, apenas mais tarde quando compreenderem que perderam a oportunidade, que outras crianças tiveram, de ter os pais juntos é que poderão sentir a falta de ter os pais juntos. Crianças em torno de 2 anos até a adolescência poderão sentir muito mais. Adolescentes em diante já tem boa capacidade de perceber que é melhor uma boa separação do que um péssimo casamento e com sua vida social mais ativa terão menos necessidade da companhia dos pais.
3 - É indicado que os pais esperem até que os filhos cresçam para se divorciarem?
PSICÓLOGO : Esta decisão não deve ter os filhos como peso definitivo. Se os pais fizerem isso é provável que expressem esta culpa aos filhos em algum momento da vida deles – “aguentei seu pai (mãe) por sua causa”. O divorcio é sempre do casal, ninguém se divorcia dos filhos. É claro que a rotina mudará, terá dias nos quais não verá um dos pais, passará férias com um de cada vez, mas é sempre possível que se mostre a criança que ainda pode ser divertido assim, e sempre poderá contar com seus pais mesmo que separados.
4 - Em linhas gerais, como funciona a guarda compartilhada?
PSICÓLOGO : A guarda compartilhada é aquela que oferece a criança a sensação de que os dois pais tem o mesmo grau de importância em sua vida. Que os pais respeitam a opinião um do outro e que entrarão num consenso quanto as decisões principais de sua vida. Um pai não deverá ser visto como “visita” e nem a criança ser a visita na vida deste pai (ou mãe). A guarda compartilhada não divide tarefas sendo que um fica responsável pela diversão do final de semana enquanto o outro é o responsável pelas obrigações.
5 - Ela é mesmo a melhor opção para a criança, como defendem muitos profissionais? Por quê?
PSICÓLOGO : Sim. Pois a guarda unilateral permite que um dos pais configure como sendo o “principal” enquanto ao outro resta um papel secundário.
6 - Quais são os pontos negativos (para a criança) de ser criado apenas por um dos pais?
PSICÓLOGO : Toda criança precisa sentir que é possível ter agora, e consequentemente em toda sua vida, relacionamentos harmoniosos, e quando criada por apenas um dos pais (enquanto o outro é vivo e poderia fazer parte de sua vida de modo significativo) é possível que este pai (ou mãe) que a cria, mesmo que não queira, acabe demonstrando ressentimentos contra a outra parte, mas esta parte não terá oportunidade de mostrar de forma plena quem é.
Ter mais de uma pessoa na criação oferece oportunidade para que esta criança descubra que é possível que duas pessoas diferentes, que eventualmente possam ter prioridades diferentes e valores diferentes, se entendam e tenham um relacionamento saudável mesmo que separados. Isso propicia o desenvolvimento da Empatia tão importante para o bom relacionamento interpessoal.
Claro que tudo isso só é valido quando existe a figura “fantasma” do pai ou mãe, ou seja ele existe mas não participa como deveria. No caso de pais falecidos ou de filhos adotados por apenas uma pessoa a compreensão da situação faz toda diferença.
7 - A ausência do pai ou da mãe especificamente podem trazer que tipo de consequências a longo prazo para a criança?
PSICÓLOGO : Não há tanta diferença se a criança teve a ausência do pai ou da mãe especificamente, a prova disso é que crianças criadas por pais, ou mães, homossexuais tem filhos absolutamente saudáveis. Pode ser que um pai se sinta mais constrangido em ensinar para a filha questões ligadas à sexualidade da menina e vice versa, mas nada que não possa ser contornado.
OUTRAS PERGUNTAS FREQUENTES REFERENTES AO TEMA: PROBLEMAS EMOCIONAIS
Porque tantos problemas psicológicos atualmente?
É o mundo caótico? Esses problemas já existiam mas ninguém prestava atenção?
PSICÓLOGO : Ansiedade , depressão e cia... sempre existiram. Antigamente não havia diagnóstico pra isso, ou a pessoa era louca ou sã. Hoje sabe-se que o sofrimento humano foi abafado por muito tempo pois as pessoas tinham medo de serem vitimas de preconceitos.
Por que na época dos nossos antepassados, não se ouvia falar em " Síndrome do Pânico " "Depressão" " Transtorno obsessivo compulsivo " Parece que virou moda depois do século XX?Ou somente alteraram os nomes dos diagnósticos?
PSICÓLOGO : O que não existia era o nome da doença. O sofrimento humano existe desde que o homem existe. Graças à Deus, e aos cientistas, que o entendimento vem se aprimorando cada vez mais, assim como os tratamentos medicamentosos e psicoterapêuticos.
A razão de nossas neuroses pode estar no passado?
PSICÓLOGO : Você se refere a origem de nossas dificuldades, inseguranças e ansiedades de hoje. Sim, muitas vezes sim. Principalmente na infância, este é o momento onde estamos mais vulneráveis e somos verdadeiras "esponjas", absorvemos tudo com muita intensidade. Se fomos negligenciados, isolados ou qualquer situações assim, isto pode ficar marcado de forma a nos influenciar por toda uma vida.... se não fizermos nada para eliminarmos essa "carga".


