Gilles Deleuze: “O Fascismo Está Dentro De Cada Um De Nós”

21/03/2016 13:08
Por Portal Raízes
 
“Não é incomum para as pessoas votarem em partidos contrários à sua situação social, trabalharem para patrões que os tratam horrivelmente, e ficarem à favor de familiares não importa o quão péssimos sejam.
 
Para o filósofo francês Gilles Deleuze e militante anti-psiquiátrico Felix Guattari o desejo de opressão vem da crença de que as pessoas devem reprimir seus desejos. E através desta repressão, as massas ficam preparadas para aceitar o fascismo.
 
O fascismo não é apenas algo que acontece dentro dos governos – o fascismo está dentro de cada um de nós – é um fascínio e um amor pelo poder.
 
As pessoas anseiam serem guiadas, protegidas […] são levadas por seu desejo inconsciente de submeterem-se a força – o déspota sacia a necessidade de um pai provedor e de uma mãe carinhosa.
 
Vivemos em uma sociedade que produz enormes quantidades de ansiedade. A pressão social proclama: Mantenha um bom trabalho, faça exercícios, coma saudável, use fio dental e escova regularmente, não corra riscos desnecessários ou você vai morrer.
 
Como tal, existe um desejo por uma existência livre de problemas, uma vida protegida e abrigada sem conflitos, perigo ou luta. Tudo que você tem a fazer é desistir de sua liberdade em conformidade com os costumes sociais e ideais ditados por um líder forte.
 
As pessoas são ensinadas a negar o desejo – a ter vergonha de seus impulsos sexuais, de quaisquer fantasias ou predileções atípicas. Ceder a suas inclinações é ser pervertido – reprimir desejos é natural e divino.
 
Profissões inteiras são dedicados a fazer você se sentir doente, a fim de te venderem uma cura.
 
Indo na contramão da psicanálise, Deleuze e Guattari sugerem esquizoanálise ou análise que não se baseia em normalidade, poder e repressão. Contra Édipo, eles preferem Anti-Édipo – uma máquina desejante, de luta contra fascismo”.
 
“(…) é muito fácil ser antifascista ,sem ver o fascista que nós mesmos somos, que entretemos e nutrimos, que estimamos com moléculas pessoais e coletivas”. (Deleuze e Guattari, Mil Platôs vol.3)
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