Em busca do par ideal
Pesquisa mostra as qualidades valorizadas
na procura de um parceiro amoroso
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Angela Nunes
Achar a alma gêmea não é nada fácil. Com o passar do tempo, a tarefa se complica ainda mais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 90% das pessoas já estão comprometidas quando completam 30 anos de idade. Os 10% restantes estão dispersos, com poucas chances de se encontrar. A manutenção de um relacionamento também tem suas complicações. Prova disso é que o número de divórcios só fez crescer no país nos últimos anos. Os especialistas estão convencidos de que o entendimento do processo de seleção de parceiros pode tanto ajudar solteiros e solitários quanto melhorar o convívio de um casal. Os profissionais do Departamento de Psicologia Comportamental da Universidade de São Paulo acabam de concluir o mais recente trabalho sobre o assunto. O grupo realizou centenas de entrevistas em várias cidades do país para descobrir o que homens e mulheres procuram no parceiro, qual a melhor forma de encontrá-lo e quais armadilhas devem ser evitadas no instante da escolha. "Não temos a pretensão de racionalizar o amor, apenas queremos ajudar as pessoas a evitar grandes percalços na procura pelo par ou na manutenção de uma relação", afirma o psicólogo Ailton Amélio da Silva, coordenador da pesquisa.
De acordo com o estudo, as uniões bem-sucedidas são construídas com base em três pilares: semelhança, admiração e comprometimento (veja quadro ao lado).A paixão continua sendo fundamental, obviamente. Mas nem sempre é o bastante. Muitas pessoas se envolvem com um parceiro de personalidade e estilo de vida completamente opostos. Acreditam que o amor vence tudo. Isso funciona perfeitamente apenas na novela das 8. Na realidade, a convivência nessas condições pode ter um efeito devastador, pois acirra as diferenças e os problemas, transformando-os em permanente fonte de conflito. Não é à toa, conforme demonstra o estudo, que a maioria dos casamentos começa no trabalho, na faculdade ou até mesmo na academia de ginástica. São ambientes que reúnem pessoas com um interesse ou objetivo em comum. Permitem uma convivência descompromissada entre os pares, até que eles se conheçam suficientemente bem para iniciar um contato mais íntimo. Num bar de solteiros ou danceteria, batizados de "paqueródromos" pelos pesquisadores da USP, esse envolvimento ocorre de uma forma mais precoce. E dá margem para as diferenças fundamentais ficarem escondidas. A escolha errada provoca uma insatisfação de base que inviabiliza o futuro. "O relacionamento é um projeto de conquista constante, realizado a cada momento", afirma o psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Cuschnir, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
Na hora de procurar um parceiro, homens e mulheres contrariam um pouco o senso comum que há sobre o assunto. Qualidades como um belo corpo ou uma conta bancária recheada não foram bem cotadas no levantamento da USP. Brasileiros e brasileiras afirmaram preferir a inteligência, a honestidade e a disposição para o trabalho. As características procuradas por ambos os sexos podem ser divididas em três classes. A cultural leva em conta o padrão estético vigente. É o que fez das gordinhas as musas do Renascentismo e torna hoje a modelo Gisele Bündchen a princesa dos sonhos de muitos homens. Num segundo momento, entram em jogo as preferências pessoais (extrovertidas ou tímidas?, altos ou baixos?). Por fim, valorizam-se as chamadas características universais. Elas fazem parte dos atributos que têm uma relação direta com o instinto e a carga genética da espécie. Os sinais de beleza, juventude e saúde estão nessa categoria. Eles garantem a procriação e a continuidade da raça. "Nesse aspecto, homens e animais seguem os instintos", afirma o psicólogo Ailton Amélio da Silva. "Quanto mais saudável, jovem e viril for o parceiro, maiores são as chances de nascimento de filhos saudáveis, que garantam a perpetuação da espécie."
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Ilustração Negreiros |
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