Comunicação e seus aspectos ideológicos.
Para Aristóteles, o Homem é um "animal político", pois somente ele possui a linguagem e esta é o fundamento da comunicação entre os seres humanos
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Para Aristóteles, o Homem é um "animal político", pois somente ele possui a linguagem e esta é o fundamento da comunicação entre os seres humanos. Segundo seu ponto de vista, os demais animais só exprimem dor e prazer, mas o Homem utiliza a palavra (logos) e com isso sua capacidade de julgamento entre o bem e o mal, o certo e o errado. Na busca de interpretação da realidade social, devemos levar em consideração também a capacidade de atuação do Homem sobre a natureza e a sua consequente criação de novas condições de existência, como fundamentais para compreendermos o desenvolvimento da comunicação na sociedade.
O nosso cotidiano é marcado por inúmeras ações que nos permeiam diante de múltiplas relações. As diversas conexões que se estabelecem no mundo vivido por meio de normas foram criadas com o objetivo de estabelecer uma linguagem comum em que os indivíduos socializados trocassem experiências. A comunicação se insere como importante fator para analisarmos a produção dos discursos que desembocam nos (des)caminhos da humanidade.
Se até bem pouco tempo os homens utilizavam o discurso direto para se comunicar e meios muito limitados e lentos para uma comunicação à distância, vimos surgir no século XX os poderosos e rápidos meios de comunicação de massa (jornal, rádio, TV...) e hoje, com a informática e a Internet, de fato o mundo se transformou numa "aldeia global" e constituímos, assim, uma "sociedade informática". Mas uma grande questão se coloca: os poderosos meios de comunicação e transmissão de dados de que dispomos, até mesmo num simples celular, estão realmente possibilitando uma maior participação democrática da maioria, ou nos tornamos personagens e reféns de um terrível e incontrolável "Big Brother"?
Rafael Fermino Beverari é graduado em Ciências Sociais pela PUC-SP, atua no campo de audiovisual e é professor de Sociologia da rede pública e Francisco P. Greter é mestre em Filosofia e História da Educação - FEUSP e vice-presidente da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo (APROFFESP). www.aproffesp.blogspot.com, fgretter@yahoo.com.br .
| ETAPA I: CONSTRUINDO NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO |
| Os dois lados: a sociedade "informática" é mais democrática, mas também nos submete a um grande Big Brother |
ATIVIDADE I: O AGIR COMUNICATIVO NA SOCIEDADE - J. HABERMAS E W. BENJAMIN
A palavra grega mythos (narrativa) representa o esforço dos povos antigos em interpretar suas realidades. Mais do que um simples jogo de palavras, a invocação do sagrado e profano encontra-se na linguagem uma via de reprodução onde os tabus permeiam a coletividade por meio de diferentes regras sociais.
A comunicação encontra-se aí como parte fundamental para a transmissão/produção da cultura. Ela não se resume apenas aos meios de comunicação, mas se amplia a todo nosso modo de ser que varia de acordo com as particularidades de cada sociedade. Segundo Rousseau, assim que um Homem percebeu que a sensibilidade estava presente nos indivíduos, surgiu a necessidade de "comunicar-lhe seus sentimentos e pensamentos". Perceberemos mais adiante algumas distorções dessa "sensibilidade" no decorrer da história da humanidade.
O filósofo Jürgen Habermas analisou o entendimento linguístico como um processo cooperativo da interpretação de algo no mundo. O que permeia esta teoria crítica da sociedade seria a perda da liberdade para pensar e agir devido à limitação dos espaços comunicativos. As relações sociais presentes no mundo deveriam se coordenar por meio desse entendimento. Assim, poderíamos pensar em outra sociedade cuja discussão dialógica permitisse um mundo mais justo, uma vez que os indivíduos seriam capazes de relativizar diferentes posicionamentos.
Segundo Habermas, o sistema trata-se de uma dimensão determinada pelo modo de produção capitalista, cuja organização se pauta pela lógica instrumental. A adequação dos meios é determinante nesta racionalidade instrumental que procura atingir seus fins de modo o mais otimizado possível. A finalidade de acumulação do capital não abriria espaços à discussão, à linguagem, impedindo uma vida que emane da coletividade. Torna-se aí evidente a falta de espaços comunicativos que fomentem um pensamento crítico na sociedade.
Por outro lado, podemos observar o mundo vivido como a vida social cotidiana. Diante das múltiplas interações que estabelecemos, algumas verdades são dadas como certas, inquestionáveis. O discurso se apresenta como um processo comunicativo racional pautado pela argumentação. Seria por meio dos discursos que se fundamentaria o agir comunicativo através do questionamento das validades dos fatos, das "verdades" estabelecidas no decorrer dos tempos. Se a história dos vencedores é a que predomina diante da sociedade, podemos, assim como Walter Benjamin, "escovar a história a contrapelo" e fazer ouvir as vozes esquecidas do passado.
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| Representação do mito grego de Prometeu. As histórias míticas eram a tentativa dos antigos de explicar a realidade que os cercavam |
A falta de comunicação é um problema sério cuja racionalidade comunicativa pretende suprir. Diferente da razão instrumental, os fins seriam frutos de uma discussão coletiva, soltando as amarras da economia e Estado que limitam a participação na tomada de decisão para poucos. Para isso, tal racionalidade aparece como uma via para pensarmos em construir uma sociedade pautada na interação dos grupos por meio do diálogo. Os objetivos da coletividade seriam predominantes diante dessa coordenação de vários atos de entendimento provenientes de diversos indivíduos. Este tipo de racionalidade só seria possível em um momento em que a razão instrumental saísse de cena com o fortalecimento dos interesses múltiplos dos atores sociais.
O ato de compartilhar ideias, experiências, sentimentos é o que faz a comunicação ter um importante papel na significação do mundo. A interpretação da realidade é continuamente reinventada pela humanidade por um processo em que esse mundo transformado constantemente ganhe diversos significados. A necessidade de construirmos novas formas de comunicação com valores baseados na reciprocidade é um dos desafios para pensarmos relações sociais mais justas e igualitárias.
O DISCURSO POR MEIO DAS RELAÇÕES DE PODER
Os códigos de linguagem expressam todo o modo de ser de um povo, como as vestimentas, tipo de penteado, jeito de se comportar em diferentes espaços, etc. Por se tratar de uma codificação que está presente universalmente nas sociedades humanas, distintas culturas podem ser encontradas neste mundo, cada uma com suas particularidades comunicativas.
Algumas questões podem ser levantadas sobre como a reprodução do modo de ser mantém especificidades nas distintas sociedades. Quem participa e procura perpetuar os discursos no decorrer da história? Quais normas fundamentam estes discursos? Qual a fonte de nosso conhecimento? Será que não existem algumas informações ignoradas? Qual o critério de seleção dos dados que nos chegam? Cabe a nós pensarmos como a comunicação se desenvolveu ao longo dos tempos para compreendermos sua utilização.
Michel Foucault traz a noção do discurso por meio da Psicanálise como aquilo que se manifesta ou esconde o desejo. Sentimento este utilizado por sistemas de dominação, uma vez que "a produção do discurso é controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos...". Se nossas manifestações de desejo são disciplinadas, cabe fazermos uma genealogia de como isto é realizado.
A busca pela verdade está intrinsecamente relacionada a um sistema de exclusão que a humanidade procurou justificar por meio de seus experimentos em nome de um suposto progresso. A opção pelo esquecimento de determinados momentos históricos é um reflexo da produção do discurso pela classe dominante. Afirmar que a verdade se encontra junto com o poder na sociedade, é analisar a produção de conhecimento nesta conflituosa relação em disputa.
Já se sentiu incomodado em algum ambiente desconfortável com vontade de dizer algo que pode não ser dito em determinadas circunstâncias? Segundo Foucault, são nesses interditos que deve concentrar uma análise dos discursos por meio da interrogação dessa vontade da verdade baseada na exclusão.
Sendo assim, os discursos se apresentam como práticas descontínuas que "se cruzam, se justapõem, ignoram ou se excluem". Questioná-los seria como abandonar a soberania do significante e buscar os interditos nos acontecimentos com base nas pluralidades de séries ao longo da história. Refletir sobre o papel da comunicação em nossas vidas é observar as ocorrências nos mínimos detalhes como algo construído no decorrer do tempo através de escolhas entre reprodução ou esquecimento.
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| Para o filósofo alemão Jürgen Habermas, a linguagem é um processo cooperativo da interpretação de algo no mundo |
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Sugestão de exercício I: para uma leitura Filosófica do texto (análise crítica) 1º PASSO: fazer uma leitura corrida, em voz alta, com toda a classe. Um ou dois alunos (as) podem realizar a tarefa; 2º PASSO: fazer uma segunda leitura mais pausada, anotando o vocabulário desconhecido aos alunos; 3º PASSO: definir/compreender o significado das palavras dentro do texto e do contexto em que elas mesmas são empregadas. Utilizar um bom dicionário da Língua Portuguesa (Houaiss, Aurélio...) e dicionários especializados, principalmente em Filosofia (Marcondes/ Japiassú, Abaggnano...). Separar os termos comuns dos conceitos que aparecem no texto, como, por exemplo, lógica instrumental, cultura, mito, dialógico, razão instrumental, estética, luta de classes... 4º PASSO: determinar o tema central abordado pelo autor e as ideias principais com as quais ele articula sua reflexão e argumentação. Analisar as questões levantadas por ele e a maneira como as desenvolve; 4º PASSO: pedir aos alunos que, em grupos ou individualmente, façam uma reflexão sobre o assunto e também levantem questões, façam análises, relacionem as ideias do texto com a realidade brasileira, etc. Em seguida pode ser feito um debate ou uma plenária final; 5º PASSO: como avaliação individual, solicitar a cada aluno que faça uma redação sobre o assunto (10 a 20 linhas), abordando os aspectos do texto e das discussões que mais lhe tocou. O professor também poderá levantar algumas questões como tema da redação. Obs.: Sempre é bom lembrar o que diz o eminente filósofo brasileiro, professor Celso F. Favaretto: "Uma leitura não é filosófica simplesmente pelo fato dos textos serem filosóficos, mas na maneira como professores e alunos refazem o percurso da interrogação, percebendo como os filósofos levantaram e problematizaram as questões, a forma como construíram seus argumentos e deram suas diferentes respostas." (Por que Filosofia no Ensino Médio, Francisco P. Greter, revista FILOSOFIA, No 44, 2010) |
Atividade II: Os (des)caminhos da Humanidade e a Estética do vidro
Discutir a comunicação na contemporaneidade não é uma tarefa fácil. Diante de múltiplas imersões, os conflitos se estabeleceram de maneira intensa cujas fronteiras são facilmente deixadas de lado para abrir caminho à centralização do poder. Para Walter Benjamin, os combatentes da Primeira Guerra Mundial voltaram silenciosos para suas casas. As catástrofes anunciadas pela ganância humana os tornaram mais pobres em experiências comunicáveis.
A barbárie passa a tomar conta de um mundo regido pelo medo de um próximo conflito. Novas relações se estabelecem diante de uma linguagem sem preocupação em descrever a realidade. É como se fôssemos ajustáveis e móveis diante de falsas percepções que regem a sociedade. Benjamin, assim descreve uma casa de vidro: "Não é por acaso que o vidro é um material tão duro e tão liso, no qual nada se fixa. É também um material frio e sóbrio. As coisas de vidro não têm aura. O vidro é em geral o inimigo do mistério." Esta tentativa de acomodação da burguesia a uma nova concepção de arquitetura moderna nos revela um local sem espaços para fixação de afetos e imperfeições. A citação de Brecht "Apaguem os rastros" pode estar mais presente do que nunca pela falta de comunicação marcada por esses locais onde nada se estabelece por meio de uma mediação crítica.
A aura seria como "observar, em repouso, numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no horizonte...". A sua destruição significa a ausência de "uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais". Seria como se vivêssemos diante de um mundo que não visa se aprofundar nas questões que estão presentes na sociedade, nos impedindo de termos uma visão totalizante do mundo, de sentirmos o significado pleno.
Esse tempo vazio e homogêneo leva adiante a ideia de um progresso construído através das ruínas do passado. A necessidade humana de se comunicar se transformou ao longo do tempo da mesma maneira que seu modo de existência. Se a história da humanidade pode ser explicada pela luta de classes é justamente aí que deveríamos tentar entender o processo de comunicação como algo mutável associado ao desenvolvimento das forças produtivas e a centralização da tomada de decisão. O materialismo histórico presente na obra de Benjamin critica a noção de progresso pautada pelos dominantes como algo construído por meio de barbáries e que traz consigo uma pobreza das experiências humanas.
| ETAPA II: A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E A DEMOCRATIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES NO BRASIL |
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| A atual presidente da Argentina, Cristina Kirchner, sancionou a Lei dos Meios, em 2009, desbancando o monopólio do grupo Clarín |
Muito se fala, no Brasil, em "liberdade de expressão", "liberdade de imprensa", censura dos meios de comunicação, etc. A qualquer movimento do governo no sentido de regulamentar as concessões de canais, abertos ou fechados, de discutir os conteúdos das programações televisivas e via Internet, os grandes canais e jornais vêm a público defender o direito básico da democracia que é a expressão livre do pensamento, acusando os órgãos governamentais de intromissão e tentativa de censura dos meios de comunicação. E aí lembram o famoso Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, a censura da ditadura militar, que controlava toda a informação no país, perseguindo jornalistas, escritores, artistas, repórteres, professores, enfim, todos aqueles que ousavam destoar da voz oficial.
Certamente ninguém, hoje em dia, defende esse tipo de censura, pois todos os que defendem a democracia sabem que um de seus fundamentos é a liberdade de expressão dos cidadãos, desde que aquilo que se expressa, sejam pensamentos, valores éticos, estéticos, políticos...não estejam sendo usados justamente para destruir a própria democracia. Por exemplo: não é permitido difundir valores racistas ou nazistas, não se pode utilizar qualquer meio para fazer propaganda de drogas proibidas, ou de pedofilia, pirataria, tráfico de armas, etc. Como vemos, a liberdade nunca é absoluta, pois obedece a certos limites estabelecidos pela lei.
Todavia, como podemos falar em liberdade de expressão quando no Brasil o histórico de concessões de canais de televisão levou a uma concentração desses meios nas mãos de poucos grupos, o que caracteriza praticamente um oligopólio da mídia nacional. Nem é preciso citar aqui a Rede Globo de televisão e suas a filiadas cujas transmissões atingem mais de 99% dos telespectadores no território nacional! Isso é impensável, por exemplo, na França, onde nenhuma emissora pode atingir mais de 20%. E aqui nem falamos da qualidade da programação. Como podemos falar em liberdade de imprensa quando apenas três grandes jornais dominam a informação escrita em nosso país?
Se o cidadão deve ter liberdade de ver e ouvir o que quiser, deveria ter também o direito de expressão pública de seus sentimentos e ideias. Foi o que lembrou Toby Mendel, consultor internacional da UNESCO, durante um seminário realizado em Brasília em 2010: "Liberdade de expressão não é só o direito de ouvir, mas é também o direito de falar.". Esse preceito é reafirmado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), para a qual a comunicação é um direito humano básico. Quando se fala de "opinião pública", a que opinião estamos nos referindo, se a maior parte da população pouco lê, há milhões de analfabetos e analfabetos funcionais e só lhes resta o noticiário de algumas grandes rádios e de pouquíssimos canais de TV aberta?
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Sugestão de exercício II: o noticiário na telinha da TV
Divida a classe em grupos (de 4 a 6 componentes) e peça para que façam uma pesquisa sobre o noticiário nacional dos principais canais de TV aberta no Brasil. Cada grupo fica com um canal. O professor indica um ou dois assuntos que são notícia em destaque na semana, solicitando aos alunos que assistam o telejornal num determinado dia, analisando qual o tipo de abordagem que é feita pelo canal, quanto tempo é dado à notícia, se há reportagem de campo ou não e outros itens que achar interessante. Seria interessante se os alunos pudessem gravar a notícia para ser mostrada para toda a classe. Após a apresentação da pesquisa, os alunos, com orientação do professor, farão a comparação dos programas, apontando as semelhanças e diferenças da forma e do conteúdo apresentado pelos canais. Em seguida, poderão fazer reflexões sobre as questões abordadas com o tema central que é a liberdade de opinião e informação na sociedade e a democratização dos meios de comunicação no Brasil. |
Neste sentido, a democratização das comunicações no Brasil está engatinhando, pois o anteprojeto de lei cuja elaboração se iniciou no governo Lula, pelo então ministro da /Secretaria de Comunicação Social, o experiente jornalista Franklin Martins, ainda se encontra na gaveta do atual ministro das Comunicações do governo Dilma, o sr. Paulo Bernardo. Na mensagem do Executivo ao Congresso Nacional, na abertura do ano legislativo de 2012, a presidenta mencionou a vontade de levar a cabo o marco regulatório das comunicações no Brasil em breve. Por que tanta demora? Será que o ano eleitoral interfere na liberdade de ação do governo? O que ele teme? Afinal, estamos na vigência plena da democracia em nosso país, não é?
Parece que está faltando vontade política para a definição do marco regulatório no Brasil, o que não faltou ao nosso vizinho, a Argentina, que já aprovou sua Lei de Meios em 2009, sancionada pela atual presidenta Cristina Kirchner, que teve a coragem de enfrentar o monopólio da informação em seu país, representado pelo grupo Clarín, detentor de mais de duas centenas de licenças de rádio e TV, além de jornais, revisas e páginas na rede mundial de computadores, segundo artigo de João Peres, "Acorda, Brasil", publicado na Revista Brasil, No 69, março/2012, p. 14-19. Se os próprios governos encontram dificuldades para agir diante desses poderosos grupos da mídia, que liberdade tem o cidadão comum para escolher o que vai ouvir, ver e sentir nos meios de comunicação?
Os otimistas apontam as redes sociais da Internet como uma das formas de democratização da informação, uma vez que o internauta tem inúmeras possibilidades de escolha e pode, inclusive, participar ativamente da "construção" e veiculação de informações e notícias. Mas quem domina essas redes, que interesses estão por trás dos "Orkuts" e "Facebooks"? Essa participação virtual não seria mais uma ilusão e sombra vendida como realidade, enquanto continuamos acorrentados no fundo da "caverna de Platão"? Como dizia o velho poeta, "É a mesma faca que corta o pão e fere o homem!". O futuro dirá o quanto de perda e ganho a humanidade terá com o avanço das Tecnologias da Informação, lembrando simplesmente que esta não é sinônimo de Conhecimento, de Formação. O excesso também pode levar ao des-conhecimento, à des-informação e, pior, à de-formação.
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Sugestão de exercício III: texto para reflexão: "como se faz democracia" "Cem mil mulheres chegam a Brasília, vindas de todas as partes do território nacional. São trabalhadoras rurais, caminham durante dias e são recebidas pela presidenta da República para discutir reforma agrária. Em outro dia, 20 mil produtores rurais ocupam a Esplanada dos Ministérios. Querem que o Congresso vote as mudanças na legislação florestal para poder desmatar além dos limites atuais. Dois temas relevantes para a sociedade? Não para a Globo. A Marcha das Margaridas (nome dado ao movimento) recebeu 18 segundos da edição de 17 de agosto de 2011 do Jornal Nacional. Já o churrasco da maior entidade ruralista, 127 segundos." (Revista Brasil, No 69, março/2012, p. 16). Questão: como se explica essa diferença de tratamento dada pela emissora citada a dois eventos públicos de importância? Que interesses econômicos, ideológicos, políticos estariam por trás da enorme diferença de tempo dado às duas notícias? |
| ETAPA III: INTERDISCIPLINARIDADE |
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| Por trás das democráticas redes sociais estão os grandes grupos de comunicação e seus interesses |
Sobre o monopólio das comunicações no mundo e no Brasil:
Há um filme clássico que trata do assunto e pode ser facilmente encontrado ou baixado pela Internet: Cidadão Kane (Citizen Kane), de Joseph Cotten e Orson Welles, EUA, 1941. Além do aspecto do domínio das comunicações pelo império econômico construído pelo sr. Charles Foster Kane, poderão ser abordados aspectos históricos da década de 1940, aspectos artísticos da nova linguagem trazida pelo cinema, a criação da indústria cultural de Hollywood, etc.
Na sequência, poderá ser assistido (pelo menos as duas primeiras partes) o já famoso documentário feito pelo canal 6 da TV inglesa, em 1990, "Muito Além do Cidadão Kane", que aborda de forma direta, por meio de entrevistas, relatos históricos, dados, a concentração das grandes redes de TV nas mãos de poucos grupos econômicos e midiáticos, principalmente da Rede Globo e seu grande empresário, o "jornalista" Roberto Marinho, já falecido. Os filhos continuam a sua obra, evidentemente não mais com as mesmas facilidades e benesses que a Globo teve nos idos da ditadura militar.
Os professores de História, Sociologia, Artes, Geogra a, Literatura poderão ser chamados a interagir e a colaborar nos inúmeros trabalhos que o filme e o documentário possibilitam. Na bibliografia final há vários textos filosóficos que ajudam a aprofundar a reflexão.
| Referências |
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A Escola de Frankfurt. São Paulo: Editora Moderna, 19__. BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994. DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação. 2. ed. rev. ampl. São Paulo: Editora UNESP, 2001. FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 2001. HABERMAS, J. 1989. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. GARCIA, Nelson J. O que é propaganda ideológica. São Paulo: Abril Cultural/ Brasiliense, 1985. |








