
Quanto mais preconceituoso, dogmático e inflexível for esse ambiente, menos janelas existirão nesta casa. Ou seja, mais limitada será a nossa visão sobre o mundo, as circunstâncias e as pessoas. Menos chances nos daremos para conhecê-las de verdade.
Esse ambiente fará ainda combinação com outros dois aspectos muito importantes que, em última instância, juntos determinam quem somos e como nos relacionamos: nosso universo familiar e, sobretudo, nosso universo particular – que é sobre o qual podemos ter um mínimo de controle e decidir quantas janelas abriremos ao nosso redor, a fim de vislumbrar um mundo, o nosso mundo.
Por isso, neste momento convido você a fazer uma rápida autoavaliação: onde você tem vivido a maior parte do tempo? Numa caixa, sem janelas e com apenas uma pequena tampa? Num casebre, com uma humilde janela? Numa mansão, com grandes e muitas janelas? Ou num castelo, com generosas vistas para o horizonte e varandas ao seu redor?
Enquanto insistirmos em rotular as pessoas, acreditando que quem se comporta assim ou quem faz tais afirmações, ou quem se veste de determinada maneira é isso ou aquilo, continuaremos condenados a viver numa prisão, onde existe apenas uma pequena fresta. E o pior é que fazemos isso muito mais vezes do que percebemos. E vivemos na cegueira muito mais do que supomos.
Que tal mudarmos de casa neste momento? Que tal sair da caixa e ir para o castelo de si mesmo? Que tal olhar adiante, permitir-se ao menos admitir que o diferente não precisa ser melhor nem pior? Pode ser apenas diferente!
Lembre-se de que seu direito de escolha continua preservado e nada tem a ver com a inteligente decisão de parar de rotular. Você tem o direito de querer isso ou aquilo, de gostar ou não gostar de algo ou alguém. No entanto, isso é absolutamente diferente de julgar, condenar e sequer se dar a chance de saber do que realmente se trata, de quem realmente você está falando.
Geralmente, quando conhecemos alguém muito diferente de nós ou com características sobre as quais desenvolvemos pré-conceitos, costumamos chamá-lo de “esquisito”. Sugiro que você troque esta expressão por outra, muito mais democrática e interessante: “exótico”. Em vez de enxergar o esquisito, comece a enxergar o exótico que permeia o diferente e o desconhecido!
Posso apostar que, a partir de então, você estará correndo o sério risco de se surpreender positivamente e descobrir que, por entre janelas abertas e o exercício de sua mais nobre perspicácia, existem pessoas muito especiais que até agora você não havia se dado a chance de conhecer!
Rosana Braga é Palestrante, Jornalista, Consultora em Relacionamentos
e Autora dos livros “O PODER DA GENTILEZA” e “FAÇA O AMOR VALER A PENA”, entre outros.





