A SOMBRA

23/06/2019 21:47
Muitas coisas que nós considerávamos bênçãos tornam-se maldições; a larga estrada estreitou-se, a luz escureceu e, nas trevas a santa em nós, tão bem cuidada e tratada, encontrou a pecadora.
 
Nosso fascínio pela luz, nosso vivo otimismo em relação aos resultados, minha fé implícita em relação aos outros, nosso compromisso com a meditação e com um caminho de iluminação, tudo isso deixou de ser uma graça salvadora e tornou-se uma sutil maldição, um estranhado hábito de pensar e sentir que parecia trazer-nos face a face com o seu oposto, com o sofrimento de ideais fracassados, com o tormento da ingenuidade, o lado escuro, com o do Diabo.
 
Mas o lado escuro aparece sob muitos disfarces. Nosso confronto com ele, na meia-idade, foi chocante e devastador, uma terrível desilusão. Antigas e íntimas amizades pareciam se debilitar e romper, privadas da vitalidade e da elasticidade. Nossos pontos fortes começaram a se fazer sentir como fraquezas, obstruindo o crescimento em vez de promovê-lo. Ao mesmo tempo, insuspeitadas aptidões adormecidas despertaram e vieram à superfície, destruindo a auto-imagem com a qual nós havíamos nos acostumado.
 
A sombra pessoal desenvolve-se naturalmente em todas as crianças. À medida que nos identificamos com as características idéias de personalidade, tais como polidez e generosidade, que são encorajadas pelo nosso ambiente. Ao mesmo tempo, vamos enterrando na sombra aquelas qualidades que não são adequadas à nossa auto-imagem, como a rudeza e o egoísmo. O ego e a sombra, portanto, desenvolvem-se aos pares, criando-se mutuamente a partir da mesma experiência de vida.
 
Muitas forças estão em jogo na formação da nossa sombra e, em última análise, determinam o que pode e o que não pode ser expresso. Pais, irmãos, professores, clérigos e amigos criam um ambiente complexo no qual aprendemos aquilo que representa comportamento gentil, conveniente e moral e, aquilo que é mesquinho, vergonhoso e pecaminoso.
 
A sombra age como um sistema imunológico psíquico, definido o que é eu e o que é não-eu. Pessoas diferentes, em diferentes famílias e culturas, consideram de modos diversos aquilo que pertence ao ego e aquilo que pertence à sombra. Todos os sentimentos e capacidades que são rejeitados pelo ego e exilados na sombra contribuem para o poder oculto do lado escuro da natureza humana, no entanto, nem todos eles são aquilo que se considera traços negativos.Não podemos olhar diretamente para esse domínio oculto. A sombra é, por natureza, difícil de ser aprendida. Ela é perigosa, desordenada e eternamente oculta, como se a luz da consciência pudesse roubar-lhe a vida.
 
Por essa razão, em geral vemos a sombra indiretamente, nos traços e ações desagradáveis das outras pessoas, lá fora, onde é mais seguro observa-la. Quando reagimos de modo intenso a uma qualidade qualquer, quer seja: preguiça, estupidez, sensualidade, espiritualidade, etc., de uma pessoa ou grupo, e nos enchemos de grande aversão ou admiração, essa reação talvez seja a nossa sombra se revelando. Nós nos projetamos ao atribuir essa qualidade à outra pessoa, num esforço inconsciente de bani-la de nós mesmos, de evitar vê-la dentro de nós.
 
A sombra pessoal contém, portanto, todos os tipos de potencialidades não desenvolvidas e não-expressas. Ela é aquela parte do inconsciente que complementa o ego e representa as características que a personalidade consciente recusa-se a admitir e, portanto, negligencia, esquece e enterra… até redescobri-las em confrontos desagradáveis com os outros.
 
Embora não possamos fitá-la diretamente, a sombra surge na vida diária. Descobriu-se que as pessoas destituídas de senso de humor tenham uma sombra muito reprimida; em geral, é a sombra que ri das piadas. Podemos observa-la da seguinte maneira no dia-a-dia:
 
Nos nossos sentimentos exagerados em relação aos outros:- “Eu simplesmente não acredito que ele tenha feita isso!”- “Não consigo entender como ela é capaz de usar isso!”No feedback negativo que recebemos que nos servem de espelhos:- “Já é a terceira vez que você chega tarde sem me avisar.”- “É inadmissível conviver com essa pessoa, nossa como fala!”
 
Nas interações em que continuamente exercemos o mesmo efeito perturbador sobre diversas pessoas diferentes:- “Eu e o João achamos que você está sendo desonesto”- “Esses políticos são corruptos e incorrigíveis ladrões”
 
Nos nossos atos impulsivos e não-intencionais:- “Puxa, desculpe, eu não quis dizer isso!”- “Desculpe-me, não me expressei corretamente, não é bem isso que queria dizer”
 
Nas situações em que somos humilhados:- “Estou tão envergonhada com o jeito que ele me trata”- “Puxa!, não merecia ouvir isso, faço tanto.
 
Na nossa raiva exagerada em relação aos erros alheios:- “Ela simplesmente não consegue fazer seu trabalho!”- “Nossa, ela simplesmente estava fora de si!”- “Puxa, como pode, perdeu totalmente o controle!”
 
Em momentos como esses, quando somos dominados por fortes sentimentos de vergonha ou de raiva, ou quando descobrimos que nosso comportamento é inaceitável, é a sombra que está irrompendo de um modo inesperado. E em geral ela retrocede com igual velocidade; pois encontrar a sombra pode ser uma experiência assustadora e chocante para a nossa auto-imagem.
 
Encontrar a sombra pede uma desaceleração do ritmo da vida, pede que ouçamos as indicações do nosso corpo e nos concedamos tempo para estar a sós, a fim de podermos digerir as mensagens misteriosas do mundo oculto.
 
Hoje em dia, defrontamo-nos com o lado escuro da natureza humana toda vez que abrimos um jornal ou ouvimos o noticiário. Os efeitos mais repulsivos da sombra tornam-se visíveis na esmagadora diária dos meios de comunicação, transmitida em massa para toda a nossa moderna aldeia global eletrônica. O mundo tornou-se um palco para a sombra coletiva.
 
A sombra coletiva, a maldade humana, nos encara de praticamente todas as partes: ela salta das manchetes dos jornais, vagueia pelas ruas sem lar, dorme no vão das portas, entoca-se nas chamativas sex-shops das nossas cidades, desvia o dinheiro do sistema financeiro, corrompe os políticos famintos de poder e perverte os sistema judiciário, conduz exércitos invasores através de densas florestas e áridos desertos, vende armamentos a líderes ensandecidos[1] e repassa os lucros a insurgentes reacionários, por canos ocultos, despeja a poluição em nossos rios e oceanos, com invisíveis pesticidas, envenena o nosso alimento.
 
Enquanto a maioria das pessoas e grupos vive o lado socialmente aceitável da vida, outras parecem viver as porções socialmente rejeitadas pela vida. Quando essas últimas tornam-se objeto de projeções grupais negativas, a sombra coletiva toma a forma de racismo, de busca de “bode expiatório” ou de criação do “inimigo”.
 
Ao longo da história, a sombra tem surgido, através da imaginação humana, como um monstro, um dragão, um Frankenstein, uma baleia branca, um extraterrestre ou um homem tão vil que não podemos nos espelhar nele, ele está tão distante de nós quanto uma górgona. Revelar o lado escuro da natureza humana tem sido, então, um dos propósitos básicos da arte e da literatura. Como disse Nietzshe: “Temos arte para que a realidade não nos mate.”
 
A projeção também pode ajudar a explicar a imensa popularidade dos filmes e romances de terror. Através de uma representação simbólica do lado da sombra, nossos impulsos para o mal podem ser encorajadas, ou talvez aliviados, na segurança do livro ou da tela.Em tempos remotos, o ser humano reconhecia as diversas dimensões da sombra: a pessoal, a coletiva, a familiar e a biológica.“
 
Conheça-te a ti mesmo”, tem ampla aplicação neste livro. Conheça tudo sobre você mesmo, aconselhavam os sacerdotes do deus da luz, Apolo, poderíamos dizer: Conheça especialmente o lado escuro de você mesmo.Vivemos numa época de excessos críticos: gente demais, crime demais, exploração demais, poluição demais, armas nucleares demais.
 
Esses são excessos que podemos reconhecer e condenar, mesmo que nos sintamos impotentes para fazer algo a respeito.
 
Os cenários podem parecer-se a estes: quando sentimos um desejo excessivo, nós o lançamos na sombra e depois o passamos ao ato sem nenhuma preocupação pelos outros; quando sentimos fome excessiva, nós a lançamos na sombra e depois nos empanturramos, nos embebedamos e evacuamos, tratando o nosso corpo como lixo, quando sentimos um anseio excessivo pelo lado mais elevado da vida, nós o lançamos na sombra e depois o buscamos através de gratificações instantâneas ou de atividades hedonísticas, como abuso de drogas ou de álcool, enfim a lista continua; vemos o crescimento dos excessos da sombra por todos os lados:
 
Num impulso descontrolado para conhecer e dominar a natureza, que se expressa na imoralidade da ciência e na união desregrada entre os negócios e a tecnologia;
 
Numa pretensiosa compulsão de ajudar e curar os outros, que se expressa na distorção e na co-dependência do papel dos profissionais da área de saúde e na cobiça de médicos e companhias farmacêuticas;
 
No  ritmo  acelerado  e  desumanizado  do  mercado  de trabalho, que se expressa na apatia de uma força de trabalho alienada, na obsolescência não-planejada, causada pela automação, e na arrogância do sucesso;
 
Na maximização do crescimento e expansão de  negócios, que se expressam nas aquisições fraudulentas de controle acionário, no enriquecimento ilícito, no uso privilegiado de informações confidenciais e no colapso do sistema de financiamento habitacional;
 
Num hedonismo materialista,  que se expressa no consumo exacerbado, na propaganda enganosa, no desperdício e na poluição devastadora;
 
No desejo  de controlar a  nossa vida íntima, que é incontrolável por sua própria natureza, que se expressa no narcisismo generalizado, na exploração pessoal, na manipulação dos outros e  no abuso de mulheres e crianças;
 
E no nosso incessante medo da morte, que se expressa na obsessão com a saúde e a forma física, dietas, medicamentos e longevidade a qualquer preço.Esses aspectos da sombra atingem toda a nossa sociedade, no entanto, algumas soluções que foram experimentadas para curar o nosso excesso coletivo podem ser ainda mais perigosas que o problema. Jung atentou a questão ao afirmar que; “ingenuamente, esquecemos que por debaixo do nosso mundo racional jaz um outro enterrado. Não sei o que a humanidade ainda terá de sofrer até que ouse reconhece-lo.
 
”Para proteger-nos da maldade humana que essas forças inconscientes de massa podem representar, dispomos de uma única arma: maior conscientização individual. Se deixarmos de aprender ou se deixamos de agir com base naquilo que aprendemos com o drama do comportamento humano, perdemos nosso poder, enquanto indivíduos, de alterar a nós mesmos e, assim, salvar o nosso mundo; sim o mal estará sempre conosco, contudo as conseqüências do mal irrefreado não precisam ser toleradas.
 
O objetivo de encontrar a sombra é desenvolver um relacionamento progressivo com ela e expandir o nosso senso do eu alcançando o equilíbrio entre a unilateralidade das nossas atitudes conscientes e as nossas profundezas inconscientes.
 
Um relacionamento correto com a sombra nos oferece um presente valioso: leva-nos ao reencontro de nossas potencialidades e talentos enterrados. Através do trabalho com a sombra, expressão que cunhamos para nos referir ao esforço continuado no sentido de desenvolver um relacionamento criativo com a sombra, pode:
 
Chegar a uma auto-aceitação mais genuína, baseada num conhecimento mais completo de quem realmente somos;
 
Desativar ass emoções negativas que irrompem inesperadamente na nossa vida cotidiana;
 
Nos sentir mais livres da culpa e da vergonha associadas aos nossos sentimentos e atos negativos;Reconhecer as projeções que matizam as opiniões que formamos sobre os outros;
 
Curar nossos relacionamentos através de um auto-exame mais honesto e de uma comunicação direta;e, usar a nossa imaginação criativa, através de sonhos, desenhos, escritas e rituais, para aceitar o nosso eu reprimido.
 
Talvez, com isso, talvez também possamos, desse modo, evitar acrescentar nossa sombra pessoal à densidade da sombra coletiva.
 
O conceito de sombra deriva das descobertas feitas por Sigmund Freud e Carl Gustav Jung, guardando o devido respeito ao seu antigo mestre, Jung reconheceu que o trabalho revolucionário de Freud foi à análise mais detalhada e profunda da cisão que existe entre o lado da luz e o lado da sombra na psique humana. A sombra é o outro em nós, a personalidade inconsciente do nosso mesmo sexo, o inferior repreensível, o outro que nos embaraça ou envergonha: “por sombra”, quero dizer o lado ‘negativo’ da personalidade, a soma de todas aquelas qualidades desagradáveis que preferimos ocultar, junto com as funções insuficientemente desenvolvidas e o conteúdo do inconsciente pessoal, a função inferior.
 
A sombra aproxima-se mais daquilo que Freud entendia como “o conteúdo reprimido”, porém em contraste com a visão de Freud, a sombra de Jung é uma personalidade inferior que tem seus próprios conteúdos, tais como pensamento autônomo, idéias, imagens e julgamentos de valor, que são semelhantes aos da personalidade consciente superior.Jung disse: “ A sombra é simplesmente todo o inconsciente! ”.
 
Tudo o que tem substância lança uma sombra; o ego está para a sombra como a luz está para as trevas. Essa é a qualidade que nos torna humanos. Por mais que o queiramos negar, somos imperfeitos. E talvez seja naquilo que não aceitamos em nós mesmos, a nossa agressividade e vergonha, a nossa culpa e a nossa dor, que descobrimos a nossa humanidade.
 
A sombra é conhecida por muitos nomes: o eu reprimido, o self inferior, o gêmeo ( ou irmão ) escuro das escrituras e mitos, o duplo, o eu rejeitado, o alter ego, o id, a função inferior. Quando nos vemos face a face com o nosso lado mais escuro, usamos metáforas para descrever esse encontro com a sombra: confronto com os nossos demônios, luta contra o diabo, descida aos infernos, noite escura da alma, crise de meia-idade, etc.
 
A sombra negativa apenas a partir do ponto de vista da consciência: ela não é como insistia Freud, totalmente imoral e incompatível com a nossa personalidade consciente, pelo contrário, ela contém em potencial valores da mais elevada moralidade, ou seja, é o ouro puro da nossa alma. Isso é particularmente verdadeiro, quando existe um lado oculto da sombra que a sociedade considera como positivo, ainda que a própria pessoa o veja como inferior.
 
Hoje em dia, entendemos por sombra aquela parte da psique inconsciente que está mais próxima da consciência, mesmo que não seja completamente aceita pr ela. Por ser contrária à atitude consciente que escolhemos, não permitimos que a sombra encontre expressão na nossa vida; assim ela se organiza em uma personalidade relativamente autônoma no inconsciente, onde fica protegida e oculta. Esse processo compensa a identificação unilateral que fazemos com aquilo que é aceitável à nossa mente consciente.
 
Para Jung e seus seguidores, a psicoterapia oferece um ritual de renovação pelo qual a personalidade da sombra pode ser percebida e assimilada, reduzindo assim seus potenciais inibidores ou destrutivos e liberando a energia vital positiva que estava aprisionada. Jung continuou a ocupar-se com os problemas correlatos de destrutividade pessoal e mal coletivo durante toda a sua longa e ilustre carreira. Suas investigações mostraram que lidar com a sombra e o mal é, em última analisem um segredo individual, igual àquele de experimentar Deus, e uma experiência tão poderosa que pode transformar a pessoa como um todo.
 
Juntamente com o SELF (o “eu”, o si-mesmo, o centro psicológico da psique) e a anima e o animus, as imagens ideais internalizadas do sexo oposto, a imagem da alma em cada pessoa, Jung classificou a sombra como um dos principais ARQUÉTIPOS do inconsciente pessoal e coletivo. Os arquétipos são estruturas inatas e herdadas no inconsciente, impressões digitais psicológicas, que contém características formadas de antemão, qualidades pessoais e traços compartilhados com todos os outros seres humanos. Eles são forças psíquicas vivas dentro da psique humana. Os deuses, os mitos, do inconsciente coletivo; os ancestrais, bisavós, avós e, pais, tios e irmãos do inconsciente pessoal são metáforas de comportamentos arquétipicos e os mitos são representações arquetípicas. O decurso da análise junguiana envolve uma percepção crescente dessa dimensão arquetípica da vida de uma pessoa.
 
Um pequeno livro sobre a sombra humana[2], à medida que vamos crescendo, o eu reprimido transforma-se num saco amortecedor, a comprida sacola que arrastamos atrás de nós, que contém as nossas porções e outros tipos de sacolas: as sombras familiares e coletivas.
 
O analista junguiano Edward D. Whitmont mostra-nos a visão do terapeuta sobre a sombra conforme ela aparece nos sonhos e experiências de vida do paciente, na sua busca simbólica[3].
 
O que a sombra sabe, por Patrick Miller com John Sanford, onde ambos ocupam-se com as difíceis questões do mal humano, na sua análise psicológica da famosa história de Robert Louis Stevenson, “Dr. Jekyll e Mr. Hyde”.
 
Tão logo começamos a desenvolver a percepção de porções da personalidade inconsciente, a sombra assume uma forma pessoal identificável, e isso inicia o processo de trabalho com a sombra. Esse procedimento acabará por levar-nos a uma profunda percepção de quem realmente somos.
 
De acordo com o analista Erich Neumann: “ o SELF fica escondido na sombra; ela é a guardiã dos portais, a guardiã da entrada, o caminho para o SELF é através dela, por trás do aspecto escuro que ela representa está o aspecto da totalidade, e é só fazendo amizade com a sombra que ganhamos a amizade do SELF.
 
Jung disse certa vez: “ prefiro ser íntegro a ser bom “. Essa afirmação certamente confunde ou perturba muita gente, porque a maioria das pessoas não consegue reconhecer a relação que existe entre a maldade e o excesso de “bondade”?
 
São Paulo disse: “ Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero”. Essas palavras são de um profundo psicólogo; ele sabia que tinha uma sombra e acreditava que só Deus poderia salva-lo dessa condição, porém, o fato de conhecer sua condição mantinha a sua integridade.
 
A igreja cometeu um grave erro: além das ações também as fantasias passaram a ser más.
 
O elemento masculino vê as coisas à luz do dia: isto é isto e aquilo é aquilo. O elemento feminino equivale a ver as coisas à luz da lua: elas ficam difusas, não são tão distintas umas das outras. Toda essa questão da sombra é muito sutil e complexa; não é tão simples quanto parece ser a do bem e do mal.O ego, representante da consciência, e a Sombra, portal e manancial para o Self, representante da totalidade do ser, apartaram cada vez mais, preparando o palco para fenômenos do tipo Jekyll (Ego) e Hyde (Sombra).
 
Existem pelo menos cinco caminhos eficazes para a “viagem interior” a fim de observarmos a composição da nossa sombra:Podemos começar olhando o nosso reflexo além do espelho. Ao olhar o espelho, vemos apenas o reflexo de nós mesmos do modo como preferimos nos ver. Ao olhar além do espelho, vemos a nós mesmos do modo como somos vistos. Mesmo que eu possa querer nega-lo, sou obrigado a concordar, em teoria, pelo menos, que esse assunto é uma rua de mão dupla, ou seja, eu posso ver claramente a sua sombra, que você não vê, segue-se que você também pode ver claramente a minha sombra, que eu não vejo. Se me agrada dizer-lhe o que eu vejo, de modo gentil, é claro, então, provavelmente, agrada-me dizer-me o que você vê, de modo gentil.
 
Um dos métodos mais eficazes para observarmos a nossa sombra pessoal é pedir aos outros que nos digam como nos vêem. A maioria das pessoas, infelizmente, treme só de pensar nisso. Preferimos continuar a pensar que os outros nos vêem exatamente do modo como vemos a nós mesmos.
 
As pessoas em melhor posição para nos ajudar a ver os elementos da nossa sobra são aquelas que nos conhecem bem. Pode ser o marido, a esposa, uma outra pessoa significativa, um amigo íntimo, um colega ou companheiro de trabalho, paradoxalmente, as pessoas que mais poderiam nos ser úteis são aquelas às quais talvez damos menos atenção.
 
Um segundo caminho para chegar à sombra pessoal é examinar nossas projeções, pois é um mecanismo inconsciente que usamos sempre que é ativado um traço ou característica da nossa personalidade que não está relacionado com a consciência. Como resultado de projeção inconsciente, observamos esse traço, pessoal nas outras pessoas e reagimos a ele. Vemos nos outros algo que é parte de nós, mas que deixamos de ver em nós.
 
Fazemos projeções negativas e projeções positivas. Na maior parte do tempo, o que vemos nos outros são as dimensões indesejáveis de nós mesmos, portanto, para encontrar os elementos da sombra, precisamos examinar quais os traços, características e atitudes que desagradam nos outros e a intensidade com nos desagradam.
 
O método mais simples consiste em listas todas as qualidades que não apreciamos nos outros; vaidade, irritabilidade, egoísmo, maus modos, ambição, etc. Quando a lista estiver completa e é provável que ela seja bem longa, destacamos as características que não só nos desagradam nos outros, mas que também odiamos, detestamos e desprezamos. Essa segunda lista Serpa uma imagem razoavelmente exata da nossa sombra pessoal. Talvez ela seja difícil de acreditar e mais difícil ainda de aceitar.
 
As situações de conflito levantam muitas questões e fazem surgir fortes emoções, por isso oferecem um palco excepcional para possíveis projeções da sombra. Na experiência do conflito, talvez sejamos capazes de aprender muito sobre as características da nossa sombra. Aquilo que condenamos no “inimigo” talvez nada mais seja que a projeção d nossa sombra da nossa própria escuridão.Também projetamos as qualidades positivas da nossa sombra sobre os outros, vemos nos outros aqueles traços positivos que possuímos, mas que, por qualquer razão, não deixamos que penetrem na nossa consciência e que não conseguimos discernir.
 
Um terceiro caminho para chegar à sombra pessoal é examinar nossos lapsos verbais, lapsos de comportamento e comportamentos equivocados. Os lapsos verbais são aqueles erros de linguagem não-intencionais que nos causam um sem-fim de embaraços. Quando dizemos que, entre outras coisas, a sombra é tudo aquilo que gostaríamos de ser, mas não ousamos, preparamos o palco para o aparecimento da sombra através desses fenômenos.
 
“ Essa é a última coisa que eu pretendia dizer “ ou “ Não acredito que eu tenha dito uma coisa dessas “ e “ desculpas “ semelhantes demonstram que, enquanto a consciência propõe, a sombra geralmente dispõe.
 
Lapsos de comportamentos talvez sejam ainda mais reveladores. Parece à vezes não haver explicação alguma para o comportamento “aberrante” de uma pessoa. Alguém diz: “ Não sei o que deu nele. Nunca vi esse homem agir desse jeito. O comportamento parece totalmente estranho ao que se percebe da natureza e do temperamento geral da pessoa, e todos, incluindo ela própria, ficam aturdidos com a experiência.Um quarto caminho na busca da sombra pessoal é o exame do nosso senso de humor e da nossa reação ao humorismo em geral. Sabemos que o humorismo pode ser muito mais do que aparenta, na verdade, é muito freqüente que os gracejos sejam manifestações das verdades da sombra.
 
As pessoas que negam e reprimem com veemência a sombra em geral são destituídas de senso de humor e acham poucas coisas engraçadas.
 
Muitos de nós riem com o final dessa história porque é engraçado, isso é o que dizemos, porém, mais do que isso, essa história “ fisga “ o elemento tagarela da nossa sombra e adoramos nos identificar com a satisfação que sujeito esta envolvido. É claro que sabemos que é errado e, certamente nós não o faríamos, mas lembremos que, entre outras coisas, a sombra é tudo aquilo que não ousamos ser, mas gostaríamos de ser.
 
Sabemos que é de extremo mau gosto rir da dor ou da desgraça alheia, ainda assim achamos tremendamente engraçados os tombos da pessoa que está começando a aprender a patinar no gelo.Podemos observar a magnitude e a intensidade da sombra nos eventos esportivos, em especial nos esportes em há contato físico. Um comportamento que provavelmente acarretaria multa ou prisão em qualquer outro cenário, torna-se aqui apropriado, encorajado e até mesmo aplaudido. Sugestões que se aproximam do assassinato são feitas por pessoas normalmente pacíficas.
 
Um último caminho para chegar à sombra é o estudo dos nossos sonhos, devaneios e fantasias, embora alguns pretendam negar, todos nós sonhamos, construímos castelos no ar e fantasiamos. Se começarmos a prestar atenção a essas experiências, podemos aprender muito sobre a nossa sombra e seus conteúdos.
 
Quando a sombra aparece nos nossos sonhos, ela surte como uma figura do mesmo sexo que nós. No sonho, reagimos que nos é inferior, um ser “ menor “, no sonho geralmente queremos evita-la, muitas vezes sentindo que ela nos persegue, seja isso verdade ou não.
 
A sombra também pode aparecer sob uma forma indistinguível, que intuitivamente tememos e da qual queremos escapar.Já que a figura é a nossa própria sombra ou alguma parte representativa da nossa sombra, precisamos enfrenta-la e descobrir o que ela é e qual a sua mensagem. Precisamos observar suas ações, atitudes e palavras, se houver. Já que personifica dimensões de nós mesmos. A tendência usual no sonho, porém, é evitar a sombra, exatamente como muitos de nós fazemos na vida consciente. Portanto, em que pensamos quando não há nada em que pensar? Para onde escapa a nossa mente? Quais as imagens e fantasias que invadem o nosso pensamento? As divagações e fantasias podem ser tão contrárias à persona que vestimos que talvez nos assustem. Não temos a menor intenção de admitir para os outros quais a feição que elas têm e muitos de nós nem sequer as admitem para si mesmos.
 
Podemos concluir que entrar na nossa própria sombra é um processo muito pessoal e constituirá, para cada pessoa, uma experiência diferente. Cada um de nós deve seguir o seu próprio método para entrar na sombra e conhece-la, embora seja impossível estabelecer um caminho genérico para essa jornada interior através da sombra, esperamos que nossas recomendações possam ser proveitosas.A sombra: chama-me de irmão, para que eu não tema aquilo que busco.
 
Cada um de nós tem uma herança psicológica que não é menos real que nossa herança biológica. Essa herança inclui um legado de sombra que nos pe transmitido e que absorvemos no caldo psíquico do nosso ambiente familiar. Ali estamos expostos aos valores, temperamentos, hábitos e comportamentos dos nossos pais e irmãos. Com freqüência, os problemas que nossos pais não conseguiram resolver em suas próprias vidas vêm alojar-se em nós sob a forma de disfunções nos padrões de socialização.“
 
O lar é o nosso pondo de partida” e, a família é o palco onde encenamos a nossa individualidade e o nosso destino. A família é o nosso centro de gravidade emocional, o local onde começamos a ganhar identidade e a desenvolver o caráter sob a influência das diferentes personalidades que nos cercam.
 
Dentro da atmosfera psicológica criada por pais, irmãos, guardiões e outras importantes fontes de amor e aprovação, cada criança inicia o processo necessário de desenvolvimento do ego. A adaptação do homem à sociedade exige a criação de um ego, de um “eu”, para agir como princípio organizador da nossa consciência em expansão. O desenvolvimento do ego depende da repressão daquilo que é “errado” ou ”mau! Em nós, bem como da nossa identificação com aquilo que é visto e encorajado como “bom”. Isso dá à personalidade em crescimento a vantagem estratégica de eliminar a ansiedade e oferecer um referencial positivo. O processo de crescimento do ego continua por toda a primeira metade da vida, sendo modificado por influências e experiências externas à medida que saímos para o mundo.
 
Existe uma relação direta entre a formação do ego e da sombra: “o eu reprimido” é um subproduto natural do processo de construção do ego que acabará se tornando o espelho do ego. Reprimimos aquilo que não se encaixa na visão que fazemos de nós mesmos e, desse modo, vamos criando a sombra. Devida à natureza necessariamente unilateral do desenvolvimento do ego, nossas qualidades negligenciadas, reprimidas e inaceitáveis acumulam-se na psique inconsciente e se organizam como uma personalidade inferior, a função inferior, a sombra pessoal ou individual.No entanto, aquilo que é reprimido não desaparece, continua a viver dentro de nós, fora da vista e fora da mente mas, ainda assim, real: um olter ego inconsciente, a função inferior, que se esconde logo abaixo do limiar da percepção. É freqüente que ele irrompa do modo mais inesperado, em circunstâncias emocionais extremas. “Foi o diabo que me fez fazer isso!”, é um eufemismo dos adultos para explicar o comportamento do nosso alter ego, da função inferior.
 
A sombra dos outros estimula, assim, um contínuo esforço moral na formação do ego e da sombra de uma criança. Quando pequenos, aprendemos a encobrir aquilo que está acontecendo abaixo da percepção do ego, para crecermos bons e aceitáveis às pessoas que nos são importantes. A projeção, a transposição involuntária de tendências inconscientes inaceitáveis sobre objetos ou pessoas do mundo exterior, ajuda o ego frágil a obter um retorno positivo.
 
De acordo com a analista junguiana Jolande Jacobi, “Ninguém gosta de admitir sua própria escuridão. As pessoas que acreditam que seu ego representa a totalidade de sua psique, as pessoas que não conhecem nem querem conhecer todas as outras qualidades que pertencem ao ego, costumam projetas as ‘partes’ desconhecidas da sua ‘alma’ Sobre o mundo a sua volta”.
 
O analista junguiano britânico A. I. Allensby narra uma história de sombra familiar, que lhe foi contada por Jung, essa história foi extraída do livro de John Conger, Jung and Reich: O Corpo como Sombra:[4]Jung contou-me ter conhecido certa vez um quacre[5] famoso que não admitia jamais ter feito algo errado em sua vida. “E sabe o que aconteceu aos filhos desse homem?”, perguntou-me Jung, “o filho virou ladrão  à filha prostituta. Como o pai na assumia sua própria sombra, seu quinhão na imperfeição da natureza humana, os filhos foram empurrados a viver o lado escuro que o pai ignorava.”
 
Além dos padrões de relacionamento pais-filhos, outros eventos acrescentam complexidade ao processo de formação da sombra. À medida que o ego da criança vai ganhando percepção, parte dele forma uma máscara, ou persona, a face que exibimos ao mundo, a imagem daquilo que pensamos ser e que os outros pensam que somos.
 
A persona satisfaz as exigências do relacionamento com o nosso ambiente e cultura, conciliando o ideal do nosso ego com as expectativas e os valores do mundo onde crescemos. Sob a superfície, a sombra via estocando o material reprimido. Todo o processo de desenvolvimento do ego e da persona é uma resposta natural ao ambiente e é influenciado pela comunicação com a nossa família, como nossos amigos, com nossos professores e conselheiros. A influência dessas manisfesta-se através da aprovação, da desaprovação, da aceitação e da vergonha.
 
Considerando esse cenário da nossa vida em família, podemos ver como alger ego se desenvolve. A sombra dos outros membros da família exerce forte influência sobre a formação do eu reprimido da criança, especialmente quando os elementos escuros não são reconhecidos dentro do grupo familiar ou quando os membros da família conspiram para esconder a sombra de um deles, alguém poderoso, ou fraco, ou muito querido.
 
Quando a dinâmica familiar é extremamente negativa, abusiva ou anormal, a culpa e a vergonha transformam-se no problemático âmago da sombra que nos é legada. Os pais são os primeiros mestres de uma criança, e a que suas lições nem sempre são doces; a escritora Kim Chernin[6] diz:  inveja, a raiva e a culpa da mãe criam uma situação paradoxal para a moça que hoje atinge a maioridade e quando esses sentimentos deixam de ser reconhecidos como componentes da sombra podem trazer conseqüências trágicas e destruidoras para a filha.Ser pai e/ou mãe é uma responsabilidade difícil e até mesmo perigosa, a formação da sombra é inevitável e universal, ela faz de nós que somos; ela nos leva ao trabalho com a sombra, que faz de nós aquilo que podemos ser.
 
Em suas tentativas de reprimir certos pensamentos, sentimentos e comportamentos, os pais usam várias técnicas. Às vezes, emitem ordens claras: “ Não me diga que você está pensando assim!”, “Menino crescido não chora!”, “Homem que é homem não chora!”, “Não bote a mão aí nessa parte do seu corpo!”, “Nunca mais quero ouvir você dizendo isso!”, “Larga esse dinheiro, e não coloque a mão na boca, pois passou na mão de muita gente, esse dinheiro é sujo!”, “Não é assim que a gente age aqui na nossa família!”, “Você precisa entender, nós é que sabemos algo da vida, você é  muito pequeno, não entende nada!” e “Não foi essa a educação que eu ensinei a você, seu porco!” Ou se não, como faz a mãe quando vai com o filho à loja, ralham, ameaçam e espancam.
 
Muitas vezes, os pais moldam a criança através de um processo mais sutil de invalidação, simplesmente optam por não ver ou não recompensar certas coisas, como por exemplo: se os pais dão pouco valor ao desenvolvimento intelectual, presenteiam os filhos com brinquedos e equipamentos esportivos, não com livros nem com kits de ciência e vice-versa.
 
No entanto, a influência mais profunda que os pais exercem sobre os filhos é através do exemplo. A criança observa instintivamente as escolhas que os pais fazem, as liberdades e prazeres e as regras que seguem. Isso tudo tem um efeito profundo sobre ela: “É assim que se faz!”, “É assim que se vive!”, “É assim que se vence na vida, trabalhando duro e muito!” “Nenhuma coisa cai do céu!”
 
Quer a criança aceite o modelo dos pais quer se rebele contra ele, essa socialização inicial também desempenha um papel significativo na escolha dos companheiros.
 
A reação de uma criança aos ditames da sociedade passa por diversos estágios previsíveis. É típico que a primeira resposta seja esconder dos pais comportamentos proibidos. A criança tem pensamentos de raiva, mas não os verbaliza. Ela explora seu corpo na privacidade do quarto. Atormenta os irmãozinhos menores quando os pais estão fora e, finalmente, chega à conclusão de que alguns pensamentos e sentimentos ao tão inaceitáveis que deveriam ser eliminados; assim, ela constrói um pai e/ou mãe imaginários dentro de sua cabeça, para policiar seus próprios pensamentos e atividades, essa é parte da mente que os psicólogos chamam de SUPERGO.
 
A partir desse momento, sempre que tem um pensamento proibido ou se permite um comportamento “inaceitável”, a criança experimenta um golpe de ansiedade administrado por ela mesma. Esse golpe é tão desagradável que ela faz adormecer algumas dessas partes proibidas de si mesma, em termos freudianos, ela as reprime. O preço último de sua obediência é a perda da totalidade.Para preencher o VAZIO, a criança cria um FALSO “EU”, uma estrutura de caráter que serve ao duplo propósito de camuflar as partes do seu ser que ela reprimiu e protege-la contra novos sofrimentos.E, agora a criança está presa na sua própria armadilha, ela precisa agarrar-se a seus traços adaptativos de caráter porque eles servem a um propósito útil, mas ela não quer ser rejeitada. O que ela pode fazer?
 
“Não sou fria e distante”, diz ela em sua própria defesa, “Sou, isso sim, forte e independente”, ou “Não sou fraca e carente: sou sensível”, ou “Não sou ávida e egoísta: sou previdente e prudente”, em suma, NÃO É DE MIM QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO.Mas, para manter uma auto-imagem positiva e ampliar suas chances de sobrevivência, ela precisa negá-los. Esses traços negativos tornam-se aquilo que chamamos “o eu reprimido”.
 
As partes do falso eu, que são demasiado dolorosas para serem recohecidas:O “perdido”, as partes do nosso ser que fomos obrigados a reprimir devido às exigências da sociedade;
 
O “falso eu”, a fachada que erigimos para preencher o vazio, criado por essa repressão e pela falta de desenvolvimento adequado;
 
O “eu reprimido”, as partes negativas do nosso “falso eu” que são desaprovadas e que, portanto, negamos;
 
A “sombra”, que a todo momento nos assusta, pois revela-nos quem de fato somos.
 
Para mantê-la oculta, precisamos negá-la com todas as nossas forças ou então projetá-la sobre os outros: “eu não sou egoísta” ou afirmamos com a maior convicção, “eu preguiçoso? Você que é!
 
”De importância ainda mais fundamental ao desenvolvimento da Sombra e à eventual resolução do problema da Sombra é a ligação que deve ocorrer entre pais e filhos. Desde cedo na vida, uma criança precisa ser ligada pelo amor à mãe e/ou ao pai, ou a um irmão, tio, avô, etc., substituindo adequadamente a figura simbólica do pai e/ou da mãe. Desse modo, estão lançadas as bases da vida moral, pois em última análise, a vida moral resume-se no relacionamento de uma pessoa com outras pessoas e na capacidade de sentimentos humanos.
 
Em algumas crianças essa ligação nunca ocorre, nesse caso, as necessárias defesas emocionais contra o lado mais escuro da Sombra não existem ou são frágeis, lisso pode levar ao desenvolvimento de personalidades criminosas ou sociopáticas, ou seja, a identificação do Ego com a Sombra. Como, para nós, é inaceitável que tenhamos uma personalidade ligada à Sombra, dizemos que a Sombra é um arquétipo!
 
E, quando falamos de arquétipo, equivale afirmar que é algo que se apresenta num bloco de construção essencial da personalidade, ou seja, na sua forma adjetiva, que é típico a todos os seres humanos, portanto, essencial ao desenvolvimento da personalidade do indivíduo. A formação dessa personalidade, que também se desenvolve companheira de uma parte sombria e escura é frequentemente representada nos mitos, nos contos de fadas, nas fábulas, nos provérbios, nas parábolas e na literatura em geral.Se os pais pretendem ter sucesso ao lidar com a sombra dos filhos, os pais precisam aceitar e estar em contato com sua própria sombra.
 
Os pais que têm dificuldades em aceitar seus próprios sentimentos negativos e suas reações menos nobres, acharão difícil aceitar de modo criativo o lado escuro dos filhos, porém, aceitação é diferente de permissividade, pois de nada serve à criança ter pais legítimos ou simbólicos que permitem todo tipo de comportamento, existem formas de comportamentos que não são aceitáveis na sociedade humana, a criança, portanto, precisa aprender isso, ou seja, a criança precisa organizar sua própria capacidade interior de administrar essas formas de comportamentos.
 
A CHAVE ESTÁ EM QUE OS PAIS PRECISAM TER CONSCIÊNCIA DO PROBLEMA DA SUA PRÓPRIA SOMBRA E DA SUA CAPACIDADE DE ACEITAR A SI MESMO, AO MESMO TEMPO EM QUE DESENVOLVEM O VIGOR DO SEU PRÓPRIO EGO PARA PODEREM LIDAR COM SEUS AFETOS.
 
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