A Religiosidade e o Desenvolvimento Humano

12/12/2015 19:48

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Angelita Corrêa Scardua

Há muitas diferenças na forma como pessoas de diversas faixas etárias lidam com a religiosidade.

 

Segundo Mauro Martins Amatuzzi(2000), podemos entender o desenvolvimento religioso relacionando-o com as fases do desenvolvimento pessoal. Assim, de forma simplificada, para a criança a questão religiosa só existe no núcleo familiar, sendo que a religião da família começa a ser apropriada através de símbolos (imagens sintéticas) que resumem seu significado.

 

Na adolescência, porém, a pessoa começa a questionar a religião dos pais juntamente com toda a identidade que lhe foi dada. Há uma busca por uma religiosidade definida a partir de escolhas pessoais. Durante a adolescência, o desafio central é passar de uma indefinição (ou definição a partir de fora), para uma definição a partir de dentro, descobrir uma verdade pessoal mais profunda. A percepção de incoerência religiosa na família de origem pode ser visceralmente questionada nessa fase.

 

Na idade adulta, o desafio central é passar da esterilidade à fecundidade, descobrir-se gerador, criar os filhos e transmitir os cuidados necessários. No caso da religião, esses cuidados se referem à transmissão da religiosidade dos pais para os filhos. O enraizamento religioso tende a se aprofundar. Desse modo, esse enraizamento contribui para aproximar o sistema de crenças à vida cotidiana da pessoa.

 

No caso do adulto maduro, o avanço da maturidade psicológica, advindo com a crise da meia-idade, pode conduzir a uma fé mais pessoal, resultante do sentimento de libertação promovido pelas reviravoltas psicológicas típicas dessa fase da vida. Esse sentimento de libertação seria desencadeado por um questionamento de tudo, um recomeço cujo desafio central consiste em superar as rotinas e os padrões assumidos anteriormente, e que poderiam ser impeditivos da emergência de um sentido mais pessoal para a vida.

 

Do ponto de vista religioso, essa emergência pode tanto levar a uma vivência religiosa mais aprofundada em direção aos anseios do próprio indivíduo, ou a ruptura coma antiga fé professada.

 

Quando marcada pela imaturidade psicológica, a meia-idade pode oferecer tão somente afixação em formas anteriores, impedindo assim a abertura do caminho para experiências novas no campo da religiosidade. Esse último quadro revelaria,então, a não integração dos conflitos psicológicos ao nível da psiquê, e o não desenvolvimento do processo de individuação. Processo esse indissociável do reconhecimento de si-mesmo e do abandono dos modos de vida limitadores das próprias potencialidades.