A neurociência da felicidade: cérebro e emoções positivas
Todos procuramos a felicidade em nossas vidas. Há vários caminhos; alguns bons, outros nem tanto, por isso é importante saber que uma chave fundamental para ser feliz está nas emoções positivas.
Se você tem emoções positivas como o amor, o perdão e a gratidão, você se sentirá contente, satisfeito, pleno. Mas se ao contrário, você é invadido por sentimentos negativos, como o rancor, a tristeza, a preocupação e a ira, então não se sentirá satisfeito com a sua vida e terá muita dificuldade em aproveitá-la.
Os pensamentos determinam as nossas emoções
Os pensamentos são a matéria prima das emoções. Por exemplo, se você está pensando que o seu companheiro de trabalho não acha você simpático, pensando no dinheiro que não alcança ou que o seu companheiro tem muitos defeitos que poderia melhorar, então as emoções que se manifestarão em você serão negativas: rejeição, tristeza, frustração.
Por outro lado, se você pensa que o seu colega de trabalho teve um dia ruim, mas que isso não tem nada a ver com você, que você pode conseguir outras fontes de renda, ou que todas as pessoas tem defeitos (incluindo o seu companheiro e você mesmo), então já não sentirá essas emoções negativas e se sentirá melhor. É impossível se sentir bem se você está tendo pensamentos negativos.
A chave está em substituir o negativo pelo positivo
Não é fácil, mas é possível. O primeiro passo para se livrar dos pensamentos negativos é reconhecê-los e aceitá-los. É natural que, em alguns momentos, você se sinta chateado, triste ou frustrado; isso acontece com todos nós. O que você deve fazer quando se sentir assim é reconhecer este sentimento internamente e pensar em qual é a razão dele. Por exemplo, “estou chateado porque a minha irmã não se lembrou do meu aniversário”. Posso até me chatear, mas logo deixo esse pensamento ir embora. Substituo essa emoção negativa por algo positivo como, por exemplo, “Com certeza não se lembrou porque estava com muito trabalho, vou ligar para ela e convidá-la para tomar um café”.
Você também pode pegar um caderno e escrever nele toda vez que tiver um pensamento ou uma emoção negativa. Assim você identificará claramente as emoções negativas e poderá substituí-las por emoções positivas. No início você terá que fazer um pouco de esforço, mas com a prática, os pensamentos e as emoções positivas virão naturalmente.
Os benefícios das emoções positivas
As emoções positivas, além de proporcionarem bem-estar, lhe ajudarão a ser mais criativo, flexível e eficiente. Será possível sair mais rapidamente das situações adversas e sofrer menos com o estresse, o que irá beneficiar todo o seu organismo de forma notável.
Estas são algumas das emoções positivas nas quais você pode focar para deixar de lado as negativas:
– A gratidão. Agradeça pelas coisas que você tem, mesmo as pequenas. Ter uma deliciosa xícara de café quente sobre a mesa de manhã cedo, poder desfrutar da brisa fresca primaveral ou de um passeio pelo parque, são pequenas coisas que nem todo mundo pode aproveitar; agradeça!
– O perdão. É preciso colocá-lo em prática, já que é um sentimento libertador. Perdoe a si mesmo pelos seus defeitos, pelos seus erros do passado e perdoe aos outros, pois também não são perfeitos. Você pode ter sofrido e estar ferido, mas o rancor só irá lhe prejudicar. O perdão libertará o seu coração destes sentimentos negativos e abrirá o seu caminho para a felicidade.
– O humor. Aprenda a rir de si mesmo e a encontrar o lado engraçado de cada situação. Às vezes levamos a vida muito a sério. O riso libera endorfinas, faz com que nos sintamos bem e afasta os pensamentos negativos. Cada um deve procurar a forma pessoal de encontrar esses momentos libertadores, nos quais o riso nos alimenta o espírito.
E para finalizar, a emoção positiva mais poderosa:
– O amor. Ame-se e você verá a vida de uma forma muito mais positiva. Para se amar, primeiro você deve conhecer as suas virtudes, mas também os seus defeitos, e aceitar-se como você é. Quando você se apreciar como pessoa, o amor pelos outros aparecerá naturalmente.
Nos últimos anos surgiram diversos estudos relacionados ao que foi chamado de “neurociência da felicidade”. De fato, há relativamente poucos anos os neurocientistas e os psicólogos começaram a investigar os estados cerebrais associados com os componentes da felicidade e a considerar a sua relação com o bem-estar.
Durante anos, as pesquisas demonstraram que, com o tempo, nossas experiências remodelam nossos cérebros e podem mudar nossos sistemas nervosos. Isso acontece tanto para o bem quanto para o mal.
Atualmente, os pesquisadores do âmbito da neurociência da felicidade estão se concentrando em como podemos aproveitar esta “plasticidade” do cérebro para cultivar e manter emoções positivas.
Emoções positivas, chaves para o bem-estar psicológico
A capacidade de manter uma emoção positiva é o segredo para o bem-estar psicológico. Os benefícios das emoções positivas estão bem documentados. Por exemplo, foi comprovado que as emoções positivas melhoram a saúde física, fomentam a confiança e a compaixão, e compensam e/ou amortecem os sintomas depressivos.
Também foi descoberto que as emoções positivas ajudam as pessoas a se recuperar do estresse e que podem até mesmo anular os efeitos das emoções negativas. Além disso, as emoções positivas promovem uma melhor conexão social.
No entanto, a incapacidade de manter emoções positivas ao longo do tempo é um traço importante da depressão e de outras psicopatologias, mas os mecanismos que respaldam a capacidade de sustentar respostas emocionais positivas foram entendidos há muito pouco tempo.

Um estudo publicado no Journal of Neuroscience em julho de 2015 descobriu que a ativação prolongada de uma região do cérebro chamada estriado ventral está diretamente relacionada à manutenção de emoções e recompensas positivas.
A boa notícia é que podemos controlar a ativação do estriado ventral, o que significa que podemos desfrutar das emoções mais positivas que estão ao nosso alcance.
Neurociência da felicidade
No geral, de acordo com o estudo, as pessoas com níveis de atividade mais sustentados no estriado ventral apresentam níveis mais altos de bem-estar psicológico e níveis mais baixos de cortisol, o hormônio do estresse.
Em estudos prévios, a equipe de pesquisadores identificou que desfrutar de coisas como um bonito pôr do sol e das emoções positivas associadas a ele podem contribuir para melhorar o bem-estar. Para este novo estudo, os pesquisadores queriam identificar como e por que algumas pessoas são capazes de manter vivos os sentimentos positivos.
Uma das grandes vantagens de identificar uma região específica do cérebro relacionada com a manutenção das emoções positivas é que isso facilita a visualização do que poderíamos chamar de um interruptor – que nos permite ativar esta região de forma consciente.
Para este novo estudo, os pesquisadores estudaram a neurociência associada com a manutenção de emoções positivas no mundo real através da realização de dois experimentos em seres humanos.
O primeiro experimento foi uma tarefa de respostas de recompensa monitorada por ressonância magnética funcional. A segunda foi uma tarefa de demonstração de experiência que mede as respostas emocionais a uma recompensa obtida. O teste de laboratório previu positivamente a duração das respostas emocionais positivas no mundo real.
O exame destas dinâmicas pode facilitar uma melhor compreensão das associações de comportamento do cérebro que estão na base das emoções positivas e negativas. Neste sentido, cabe destacar que, segundo os autores, é importante ter em conta não só quanta emoção a pessoa experimenta, mas também por quanto tempo estas emoções persistem.
O mecanismo exato que permite a criação de instâncias no cérebro das emoções do mundo real, experimentadas em segundos, minutos e horas, continua sendo misterioso. No entanto, os autores dizem que estas descobertas sugerem que a duração da atividade em circuitos específicos do cérebro, inclusive em períodos de tempo relativamente curtos, como segundos, pode prever a persistência das emoções positivas de uma pessoa minutos e horas mais tarde.
A neurociência da felicidade e a ativação do estriado ventral
Os resultados deste estudo contribuem para uma melhor compreensão de como os transtornos mentais, como a depressão, se manifestam no cérebro.
Além disso, as descobertas também poderiam ajudar a explicar por que algumas pessoas são mais cínicas do que outras e por que algumas pessoas tendem a ver o copo sempre meio cheio, em vez de meio vazio.
De acordo com os autores do estudo, o padrão neural observado no novo estudo, particularmente no estriado ventral, previu níveis mais altos de bem-estar em estudos prévios.
De acordo com eles, práticas como a bondade amorosa e a compaixão pelos demais, que têm como objetivo cultivar certas formas de emoção positiva, podem ajudar a aumentar a capacidade de saborear as emoções positivas.
Por outro lado, de acordo com os autores, as inovações metodológicas mostradas neste estudo podem ser aplicadas para estudar se o impacto das formas simples de meditação pode melhorar as emoções positivas mantidas em contextos do mundo real, assim como a ativação sustentada pelo estriado ventral medida em laboratório utilizando tecnologia de imagens cerebrais.



