A importância de ter um projeto de vida.

30/01/2019 19:43

Uma interpretação comum de felicidade é aquela que se faz em termos de emoções positivas e otimismo. Existe uma imagem mental generalizada de que a felicidade depende de quão presente está o prazer e quão ausente estão as emoções negativas. No entanto, este é apenas um modelo e não funciona em todos os casos. Ir além e criar um projeto de vida é a forma que muitas pessoas encontram de ser felizes.

A percepção de bem-estar tem muito mais a ver com ter uma vida de propósito, uma vida com sentido e com significado real do que com uma vida prazerosa. Nossa sociedade nos apresenta um plano de felicidade muito associado ao consumo, a um poder aquisitivo que em muitos casos se adquire através de muitas horas em um trabalho não muito agradável.

Sentir a emoção de viver

Sentir a emoção de viver pode ser algo poético, mas na verdade é a base de uma vida com propósito. Trata-se de conseguir ir além como pessoa e levantar de manhã motivado para enfrentar o dia.

O especialista em educação e inteligência artificial David Perkins faz referência à condição por meio da qual o ser humano está condenado ao seu próprio design. Por isso, é preciso descobrir o sentido da vida e a razão pela qual ela existe, muito além do simples fato de estarmos aqui.

Realizar seu projeto de vida

 

 

Um plano de vida

Na verdade, todo mundo tem um plano de vida.O que acontece é que nem todo plano constitui um projeto de vida. As pessoas criam seus projetos com base no entorno onde habitam, nas experiências passadas, nos aprendizados adquiridos, nas expectativas e nas crenças, e tudo isso junto vai criando um projeto.

A professora de psicologia Lilian R. Daset, da Universidade Católica do Uruguai, compara esta questão com aqueles livros que têm folhas faltantes ou capítulos incompletos. Incompleto ou não, este projeto acaba sendo o eixo de nossas vidas. Então, poderíamos pensar que muitas pessoas acabam sendo folhas à mercê do vento.

Criando um projeto de vida significativo

Reconhecer quais são os motivos para viver e os elementos que renovam ou atualizam nosso impulso de vida é o princípio de um projeto de vida com propósito.É preciso refletir sobre os valores e os princípios que nos fazem sentir bem e determinar se nossa forma de agir está de acordo com eles.

Descobrir o propósito de vida também anda de mãos juntas comidentificar as paixões que nos movem por dentro. Realizar uma atividade que nos faça sentir completos, de certa forma, nos permite descobrir o que é importante e essencial para cada um.

Homem pensando em seu projeto de vida

 

Um projeto de vida é um mapa de rota

Quando criamos um projeto de vida com propósito, de alguma forma a própria identidade está sendo reconstruída. Isso implica uma tomada de decisões importantes e um compromisso profundo com o desenvolvimento pessoal.

Decidir o próprio destino e alcançar o máximo potencial como pessoa é o objetivo de fundo no qual todo projeto de vida está enquadrado.

É importante entender a própria história pessoal, as experiências e aprendizados que deram forma à pessoa atual e que ajudam a entender o presente e a preparar o futuro. Trabalhar os dados autobiográficos é uma excelente forma de colocar os eventos passados em perspectiva.

Também é preciso trabalhar o reconhecimento das próprias forças e das fraquezas, além de analisar o entorno social e as oportunidades que ele pode oferecer. Estes são recursos que nos ajudam a entender onde é preciso melhorar e como direcionar os esforços.

Por outro lado, conhecer e entender a missão pessoal é fundamental para criar um projeto de vida no qual caibam tanto os desafios quanto as forças. Além disso, é importante definir uma certa distância entre o pensamos, sentimos e fazemos, de forma que a dissonância não nos torture. Ter um projeto de vida facilita um trabalho: o de separar aquilo que importa daquilo que é prescindível.

Fazer atividades que nos proporcionam prazer e propósito pode aumentar nossa felicidade. De fato, tanto o propósito quanto o prazer foram indicados como dois ingredientes fundamentais da felicidade.

Antes de mais nada, devemos responder a uma pergunta importante: o que é a felicidade? Sentir-se feliz depende em grande parte do que fazemos e pensamos. Não se pode ser feliz sem sentir prazer no que fazemos. Tampouco se pode ser feliz pensando em termos negativos.

“Só há felicidade onde há virtude e esforço sério, porque a vida não é um jogo”.
Aristóteles

O que é a felicidade?

Quando se é feliz, a vida corre bem. Mas o que exatamente é felicidade? Isso é importante porque as diferentes maneiras que temos para definir a felicidade afetam o que podemos fazer para melhorá-la. O professor Paul Dolan acredita ter a resposta para essa pergunta.

Paul Dolan é internacionalmente conhecido como especialista em felicidade, comportamento e políticas públicas. Ele é professor de ciência comportamental na Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e foi pesquisador visitante na Universidade de Princeton, na equipe do professor Daniel Kahneman.

Mulher feliz pulando

Segundo este autor, a felicidade é o conjunto de experiências de prazere propósito ao longo do tempo. A vida corre bem quando você se sente feliz. Segundo o filósofo Jeremy Bentham, o prazer é a única coisa boa, e a dor, a única coisa ruim. No entanto, alguns especialistas preferem termos como “prazer” e “sofrimento”.Em termos gerais, cada um de nós pode ser classificado de acordo com a preponderância de diferentes tipos de sensações. Pessoas felizes têm mais sentimentos positivos do que negativos. Usando a linguagem de Bentham, geralmente sentem prazer e pouca dor.

Então, quanto mais frequentes e intensas forem as suas diferentes sensações de prazer, mais feliz você será. No entanto, existem outras sensações que são importantes além das categorias de prazer e dor: propósito e falta de significado.

O princípio do prazer e propósito

Prazer e propósito podem ser entendidos como abreviações para uma ampla gama de sensações positivas e negativas. Essas sensações seriam as de plenitude, significado e utilidade, por um lado, e aborrecimento e futilidade, por outro lado.

Se pensarmos em trabalho ou estudos, perceberemos que essas atividades às vezes dão a sensação de ter muito significado ou propósito. Outras vezes, não. Pois bem, essas sensações boas e ruins são tão importantes quanto as de prazer e de dor.

Escrever um livro é um ótimo exemplo de fazer algo que parece ter sentido, um propósito. Beber uma cerveja com os amigos transmite uma sensação de prazer. São sensações diferentes, mas que nos proporcionam felicidade.

Então, para ser feliz de verdade, você deve sentir tanto prazer quanto propósito. Você pode ser tão feliz ou triste quanto os outros, mas com combinações muito diferentes de propósito e prazer. A questão é que devemos sentir ambos: prazer e propósito. É isso que Paul Dolan chama de princípio de prazer e propósito.

As emoções negativas podem ser positivas

Este princípio explica a motivação humana para buscar prazer e propósito e evitar a dor e a falta de significado. Mas também ajuda a explicar por que certas emoções, geralmente negativas, podem às vezes ser positivas se tiverem um objetivo.

A raiva, por exemplo, tem a função de conter o egoísmo e estimular o comportamento cooperativo. Portanto, não queremos experimentar sempre bons sentimentos. A vida pode ser cruel, assim como as pessoas, então às vezes a raiva é justificada. Mas também ficamos com raiva sem necessidade, naturalmente. Isso acontece quando ficamos estressados ​​por pequenos aborrecimentos, por exemplo.

Mulher observando seu celular

A felicidade perdida não pode ser recuperada

Dia após dia, momento após momento, você tem sentimentos de prazer, propósito, dor e falta de significadoVocê fica mais feliz quando experimenta uma proporção maior de sentimentos positivos e quando os experimenta por mais tempo.

Assim, a felicidade tem a ver, em última análise, com o princípio do prazer e do propósito ao longo do tempo. O tempo é um recurso escasso. Curiosamente, existem poucos pesquisadores que consideram a felicidade com base no uso do tempo.

A longo prazo, devemos tentar usar as horas e os minutos de tal forma que obtenhamos prazer e propósito geral em grau máximo durante o maior tempo possível. Não podemos recuperar o tempo perdido, nem a felicidade perdida pode ser recuperada.

Permanecer em um trabalho chato ou manter um relacionamento insatisfatório só prolonga o desconforto, e é improvável que qualquer felicidade futura compense inteiramente essa perda. A felicidade perdida foi perdida para sempre.

A razão fundamental pela qual a maioria de nós não é tão feliz quanto poderíamos ser é que nossa maneira de atribuir a atenção é muitas vezes relacionada com a ideia de experimentar todos os prazeres e propósitos possíveis. É compreensível que não sejamos tão felizes quanto poderíamos se permitirmos que o eu avaliador atenda a desejos errados sobre o que deveria nos motivar e nos tornar felizes.

Então, você já sabe. Se você quer ser mais feliz, deve realizar atividades que lhe proporcionem prazer e propósito na vida. Mas não se esqueça de que é importante que essas atividades sejam prolongadas ao longo do tempo. Desta forma, você poderá maximizar sua felicidade.

Fazer atividades que nos proporcionam prazer e propósito pode aumentar nossa felicidade. De fato, tanto o propósito quanto o prazer foram indicados como dois ingredientes fundamentais da felicidade.

Antes de mais nada, devemos responder a uma pergunta importante: o que é a felicidade? Sentir-se feliz depende em grande parte do que fazemos e pensamos. Não se pode ser feliz sem sentir prazer no que fazemos. Tampouco se pode ser feliz pensando em termos negativos.