A ÁRVORE QUE NÃO DEIXAVA IR SUAS FOLHAS

27/01/2026 21:14

Havia, no centro de um bosque silencioso, uma árvore diferente das outras. Não era maior, nem mais forte, nem mais bonita — mas guardava dentro de si um medo antigo: o medo de perder suas folhas. Quando o outono chegou , as flores começaram a mudar de cor. Ficaram mais frágeis, mais leves, prontas para o ciclo natural da vida. As outras árvores pareciam aceitar o movimento: deixavam as flores caírem, as folhas se despedirem, confiando que a primavera retornaria. Mas aquela árvore… não.

Ela segurava cada flor com esforço, como quem segura um segredo de dor. Algumas flores já estavam secas, escuras, sem perfume — mas a árvore continuava presa a elas. Suas raízes tremiam de medo: — “E se, quando eu soltar, nada mais voltar? E se o vazio for para sempre?” O vento tentava conversar com ela: — “Soltar não é perder é permitir o novo.” Mas a árvore tremia: — “Não posso. Se eu deixar ir, talvez eu deixe de existir.” E assim, enquanto as outras árvores descansavam para renascer, aquela árvore cansava-se tentando reter o impossível. Seu tronco enrijeceu, seus galhos pesaram, e uma tristeza silenciosa tomou conta de suas cores. Até que um dia, uma pequena folha — a mais jovem e delicada de todas — falou baixinho ao coração da árvore: — “Nós não fomos feitas para durar. Fomos feitas para transformar. A árvore ficou em silêncio.

E ali, naquele instante, ela entendeu: não era a queda das flores que a destruía, era o medo de permitir o ciclo da vida. Com um suspiro profundo, ela soltou a primeira flor. Depois a segunda.Depois todas. Algumas caíram suavemente. Outras despencaram com dor. Mas no chão, algo inesperado aconteceu: o que caiu não virou vazio — virou adubo. E, pela primeira vez em muito tempo, a árvore sentiu espaço dentro de si.

Espaço para respirar, para e descansar, para existir sem carregar o que já não lhe pertencia. Meses depois, quando a primavera retornou, ela não foi a mais alta, nem a mais chamativa — mas foi a mais viva. Porque agora sabia: Nada floresce para sempre.Mas tudo o que é verdadeiro retorna — quando deixamos a vida seguir seu curso.

Exercício Guiado – “Soltando as Flores Secas”Baseado na metáfora da árvore que não queria deixar ir Objetivo: trabalhar apego ao sofrimento, crenças de escassez afetiva, regulação emocional e abertura para novos ciclos. 1. Acolhimento e Preparação Convite verbal ao paciente: “Hoje vamos trabalhar uma parte sua que ainda segura o que já não faz sentido carregar. Você não precisa soltar nada agora — só observar. Vamos com gentileza.” Respiração curta guiada (1 minuto):Inspire contando até 4 segundos .Expire lentamente contando até 6. 2. Visualização Guiad.Leia pausadamente: “Imagine uma árvore diante de você. Ela pode ser alta, pequena, forte, delicada — ela é única, como você. Observe suas cores, seu formato, seus galhos e suas folhas.” “Agora, perceba que algumas flores dessa árvore estão vivas, brilhantes… Mas outras estão secas, presas, cansadas.” “Essas flores secas representam dores antigas, crenças, medos ou vínculos que já não fazem sentido no agora.” Pausa de 10 segundos. 3. Nomeando as Flores Seca “Quais ‘flores’ você ainda tenta segurar mesmo que já estejam secas?” Escreva aqui:1Se necessário, dê exemplos suaves sem induzir:ressentimento,velhas mágoas expectativas irreais,saudades que paralisam,hábitos emocionais antigo 4. “O que você acredita que acontece se soltar essas flores?” (Medo? Descontrole? Abandono? Falta? Vazio?) Depois: “Isso é verdade ou é uma crença aprendida 5. O Movimento Interno de Soltar“Agora, escolha uma flor — não todas — apenas uma que já pesa mais do que ajuda.” Pergunte:Qual flor você escolhe soltar primeiro.