Se pudesse falar com o eu do passado o que diria?

11/08/2015 21:39



O que é muito interessante na pergunta é que podemos parar por um momento de olhar para trás e começar olhar para frente. Será que daqui a cinco, dez, quinze anos o eu do futuro vai olhar para o eu de hoje e dizer a mesma coisa? Aproveite mais?
Como aquela música Epitáfio, dos Titãs, “Devia ter…amado mais…ter chorado mais…ter feito o que eu queria fazer”

Em todos os sentidos: poderiam ter ido mais à praia, poderiam ter tido mais coragem para viver um grande amor, poderiam ter aproveitado mais as oportunidades de estudar e de trabalhar. O que isto demonstra é que as pessoas frequentemente tem a impressão de terem deixado passar diversas possibilidades por medo, receio, timidez ou pela opinião alheia.

Uma das vantagens de ir ganhando experiência é que vemos a importância das escolhas. Uma única escolha errada pode alterar a vida por anos e anos. E, infelizmente, nem sempre temos a capacidade de enxergar longe quando somos mais novos. Afinal, uma das características da adolescência e juventude é a inconsequência. Um de meus amigos, aos quinze, dizia sempre “Dane-se” quando tinha alguma coisa para fazer, como obrigação. Porém, ele logo percebeu que, no fundo, ele se importava e que “Dane-se” durava apenas cinco minutos e logo ele tinha que lidar de novo com a realidade e com as responsabilidades.
Um dado alarmante que observamos nas consultas de psicologia é que, nos problemas de relacionamento, há sempre muita inconsciência sobre si mesmo e sobre os motivos das escolhas amorosas. Freud já alertava que alguém pode se apaixonar por apenas um único detalhe, como a cor dos cabelos… e é comum que a escolha por um tipo de pessoa seja quase aleatória. Não há a percepção de que todos os ex tem características semelhantes (e indesejáveis!), nem consciência sobre em que consiste a escolha. O X da questão é que, antes de escolher, nós temos que conhecer o que queremos, o que desejamos e, mais fundamentalmente, temos que saber mais a respeito de quem somos.
Nas respostas do face, também encontramos falas curiosas, entre o trágico e o cômico, que expressam esta situação das escolhas erradas. Uma das leitoras disse que diria para si mesma no passado: “Não case!”
Ame-se mais!
Ter amor por si mesmo pode parecer estranho para muita gente. Alguns psicanalistas diriam que é sinal de narcisismo, outros já acham que significa arrogância, prepotência, nariz em pé. Mas o que chamamos de auto-elogio ou podemos chamar de auto-reforço é muito importante para o crescimento pessoal.
Se fazemos uma atividade com grande capacidade, porque não reconhecer o fato? Porque não elogiar a si mesmo após um trabalho bem feito? Porque não passar a se cuidar mais, esteticamente e fisicamente?
O argumento para muita gente, para não se amar, é o mesmo dos que consideram que só é possível amar uma única pessoa ou uma única coisa (como um sorvete ou atividade profissional). Ora, podemos amar muitas pessoas diferentes como os nossos pais, irmãos, amigos, além dos animais e, por último na lista mas não menos importante, a nós mesmos. Quer dizer, para muita gente é como se amar a si mesmo fosse sinônimo de incapacidade de amar o próximo.
No face várias pessoas não disseram especificamente “Ame-se” ou “Ame você mesmo” mas disseram frases que tem relação com este tipo de atitude, que pode mudar uma vida: “Você pode”, “Você vencerá”, “Seja você”…
É como se diz, se você não acredita em você, quem vai acreditar? A base da confiança é a autoconfiança.
Conclusão
O passado já passou e, apesar da sua importância, por ter efeitos nos dias atuais, o melhor caminho é pensar daqui para frente. Como dizemos aqui em Minas Gerais, “não adianta chorar o leite derramado”. Se você parou para pensar na frase e no que diria para si mesmo, aproveite a sua frase e as frases compartilhadas neste texto para o uso daqui para frente.
Para concluir, mais três respostas que poderiam ser a minha resposta ou a sua:
“Viva intensamente!”
“Seja feliz!”
***“Avante sempre!”
De hoje em diante será dessa forma. Sob as minhas leis e as minhas regras fica decretado que de mim receberão exatamente o que me derem. Na mesma ordem e proporção, com o exato tamanho e ênfase. Aqueles que me presenteiam com amor serão cobertos pelos meus melhores sentimentos. Quem me dedicar o seu tempo e a sua atenção, esteja certo de que ganhará de volta a minha honrada dedicação e disposição. A palavra de ordem agora é: reciprocidade.
Você já reparou como anda esse mundo? A amabilidade perdeu o sentido, virou absolutamente desnecessária e inusual. As gentilezas se tornaram piegas, os favores são nada mais que obrigação de alguém que deve atender prontamente os interesses alheios. A cordialidade sumiu no agito insano da rotina esmagadora da cidade. A gratidão é mecânica, apressada e esquecida assim que vira a esquina. Querem para si sem dar em troca, e assim vão surrupiando um pouco aqui e acolá nas suas ansiosas vontades.
Não, eu não quero isso para mim. Eu quero uma vida inteira com os meus semelhantes, pessoas que me agreguem e não que me roubem de mim. Não faço questão de muito. A quantidade não me preenche. A qualidade me basta. É isso. Eu quero pessoas que somem com suas modestas atitudes sinceras, com a singeleza dos gestos legítimos, a confiança da mão estendida e do olhar afável. Eu busco a humildade dos aprendizes e a experiência dos sábios. Quem tenha tempo para me ouvir e também para me aconselhar. Alguém que se preocupe realmente comigo e com os meus, que esteja ao meu lado nas vitórias e nas derrotas, e quando nada puder fazer para me tirar do abismo, que se sente ao meu lado, me abrace e me faça companhia.
Talvez a simplicidade do que eu busco e admiro seja complexa demais aos olhos da superficialidade. Enquanto para mim esse é o maior tesouro, para os outros não faz o menor sentido. O mundo está cheio de pessoas querendo para si sem dar nada em troca, impondo que as suas vontades sejam feitas, que os outros sirvam prontamente e que eles próprios se sirvam quando queiram.
Não, não me faça perder o meu tempo, que já é pouco, com pessoas que só querem sugar o que eu tenho de luminoso e bonito, extorquindo sorrateiramente da minha prateleira tudo o que sou e que me pertence. Não roube nada de mim, por favor. Me peça. Seja honesto comigo e eu te darei o meu mundo. Não me engane. Não me ludibrie. Não me faça de tonta. Se quer um bocado do meu amor, me regale um pedaço do seu. Ou a gente troca, ou nada feito.
Pronto. Assim seremos verdadeiros e confiantes uns com os outros. Coloquemos sobre a mesa o que podemos dar, o que buscamos para nos complementar, e que a reciprocidade reja a ordem — ou desordem da vida.
Quem aceita o pouco passivamente se afilia à mediocridade, se acostuma a receber menos ou absolutamente nada em troca. E as relações são feitas disso, de intercâmbio, de uma via de mão dupla entre ações e reações, entregas e recompensas. Aquele que não queira doar, que se recolha à sua suposta suficiência e não exija do outro o que não se dá.
Atenção aos ladrões de utilidades, que nos roubam quando somos de alguma serventia. De hoje em diante permanece o amor, a amizade e a dedicação como moeda de troca. Aqui, nesta casa, só entra quem for convidado.