Prazer e Felicidade

04/03/2017 22:58

cuidardoser |

Existem, claramente, notas distintivas entre o prazer e a felicidade:
O prazer costuma ser fugaz.
O prazer afeta um pequeno setor da nossa corporalidade; a felicidade afeta toda a pessoa.
O prazer esgota-se em si mesmo e acaba criando um hábito que faz com que as circunstâncias reduzam ainda mais a própria liberdade. A felicidade não.
Os prazeres, por si só, não garantem qualquer felicidade.

As satisfações momentâneas  desorganizam a vida,fragmentam-na.

Existe o Prazer?

O prazer e a dor têm um inegável protagonismo na vida de qualquer pessoa, condicionando, de alguma forma, as suas decisões.

Mas nem o prazer nem a dor são maus ou bons por si mesmos.
Efetivamente. Mau é deixar-se vencer pelo prazer ou pela dor.

Pode-se sentir prazer sem se ser feliz  no meio da dor. Daí a necessidade – afirmava-o Platão – de se ser educado desde cedo para saber quando e como convém sofrer ou desfrutar, porque, da mesma forma que existem ações nobres e ações indignas, se pode dizer que existem prazeres nobres e prazeres indignos. A adequação da conduta a este critério é objecto da educação moral.

O Preço da Renúncia

Muitas são as coisas que o homem deseja, e para alcançar algumas delas tem de renunciar a outras, mesmo que essa renúncia lhe doa. Dizia Aristóteles que não há nada que nos seja sempre agradável.

Qualquer escolha traz consigo uma exclusão. Por isso é importante acertar quando se escolhe, sem excessivo medo à renúncia, uma vez que nem sempre por detrás de qualquer atrativo está a felicidade. Tanto o prazer como a felicidade andam sempre associados à renúncia.

Também a solução não está na supressão de qualquer desejo, porque sem desejos a vida do homem deixaria de ser propriamente humana.. O homem humaniza-se quando aprende a suportar a adversidade, a abster-se daquilo que se pode mas não se deve fazer. Este é o preço que deve pagar a nossa inexorável tendência para a felicidade se quisermos alcançar aquilo que ela nos pode dar nesta vida

Sensato é deixar-se conduzir pela razão,para não se assustar perante a dor ,nem se deixar enganar pelo prazer.

Até aqui não falámos de proibições, mas sim de um modelo e de um estilo de vida positivo.

No entanto, embora a chave da ética não sejam as proibições, não podemos esquecer que qualquer ética pressupõe mandamentos e proibições. Cada proibição guarda e assegura determinados valores, que dessa forma são protegidos e se tornam mais acessíveis.

Essas proibições acertadas, dilatam os espaços de liberdade de valores importantes para o homem. A moral não pode ser vista como normas frias; e muito menos como um código de pecados e obrigações.

As exigências da moral dão vigor à pessoa, impelem-na para o seu pleno desenvolvimento, para a sua mais autêntica liberdade