O Amor Verdadeiro

03/04/2012 10:26

 

 
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Nada é pequeno no amor.
Quem espera as grandes ocasiões para provar a sua ternura não sabe amar.
(Laure Conan)
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Quantas vezes você já olhou um casal, passeando de mãos dadas ou abraçado e se perguntou como eles podem se amar, sendo tão diferentes?
Quantas vezes já pensou em como aquela moça tão elegante pode amar aquele homem com ar tão desengonçado?
Ou como aquele homem tão bonito, parecendo um deus da beleza pode amar aquela mulher tão destituída de atrativos?
Toda vez que essas idéias nos atravessam a mente, é que estamos julgando o amor pelo exterior.
Mas, já dizia o escritor de O pequeno príncipe: O essencial é invisível para os olhos.
A propósito, conta-se que o avô do conhecido compositor alemão Mendelssohn, estava muito longe de ser bonito.
Moses era baixo e tinha uma corcunda grotesca.
Um dia, visitando um comerciante na cidade de Hamburgo, conheceu a sua linda filha.
E se apaixonou perdidamente por ela.
Entretanto, a moça, ao vê-lo, logo o repeliu.
Na hora de partir, Moses se encheu de coragem e subiu as escadas.
Dirigiu-se ao quarto da moça para lhe falar.
Desejava ter sua última oportunidade de falar com ela.
A jovem era uma visão de beleza e Moses ficou entristecido porque ela se recusava até mesmo a olhar para ele.
Timidamente, ele lhe dirigiu uma pergunta muito especial:
Você acredita em casamentos arranjados no céu?
Com os olhos pregados no chão, ela respondeu: Acredito!
Também acredito. - Afirmou Moses - Sabe, acredito que no céu, quando um menino vai se preparar para nascer, Deus lhe anuncia a menina com quem vai se casar.
Pois quando eu me preparava para nascer, Deus me mostrou minha futura noiva.
Ela era muito bonita e o bom Deus me disse: "Sua mulher será bela, contudo terá uma corcova."
Imediatamente, eu supliquei: "Senhor, uma mulher com uma corcova será uma tragédia. Por favor, permita que eu seja encurvado e que ela seja perfeita."
Nesse momento, a jovem, emocionada, olhou diretamente nos olhos de Moses Mendelssohn.
Aquela era a mais extraordinária declaração de amor que ela jamais imaginara receber.
Lentamente, estendeu a mão para ele e o acolheu no fundo de seu coração.
Casou-se com ele e foi uma esposa devotada.
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O amor verdadeiro tem lentes especiais para ver o outro. Vê, além da aparência física, a essência.
E assim, ama o que é real.
A aparência física pode se modificar a qualquer tempo.
A beleza exterior pode vir a sofrer muitos acidentes e se modificar, repentinamente.
Quem valoriza o interior do outro é como um hábil especialista em diamantes que olha a pedra bruta e consegue descobrir o brilho da preciosidade.
É como o artista que acaricia o mármore, percebendo a imagem da beleza que ele encerra em sua intimidade.
Este amor atravessa os portões desta vida e se eterniza no tempo, tendo capacidade de acompanhar o outro em muitas experiências.
Este é o verdadeiro amor.
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No amor, o homem sublima os sentimentos e marcha no rumo da felicidade.
Na perfeita identificação das almas, o amor produz a bênção da felicidade em regime de paz.
 
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Quem, em essência, ama, ama o espírito. 
Se o amor for verdadeiro, ele se alegra com a felicidade do outro.
Quem ama alguém deve aprender a libertá-lo de sua posse.
O verdadeiro amor permite que o outro encontre seu caminho, mesmo ao longe.
É o amor que eleva o ser humano espiritualmente.
Quem sai do primitivismo das sensações inferiores e alcança a capacidade de amar verdadeiramente, inicia seu processo de elevação espiritual.
O amor espiritual não se detém nas contingências materiais, atingindo a essência do ser eterno. 
O tempo não afeta o amor profundo, cujo passar finca raízes na alma que sabe esperar.
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O amor que proporcionamos ao outro promove a nossa própria elevação espiritual. 
Constitui-se em verdadeira terapia a favor daquele que ama. 
Tudo conspira a favor daquele que põe o amor a serviço do bem coletivo.
O amor promove o encontro com o espiritual.
Permite ao ser humano experimentar sua verdadeira natureza. 
Quando o amor penetra o coração do ser humano, ele passa a transitar na esfera do espírito, abdicando de sua natureza animal.
 É nesse momento que ele amplia sua percepção da realidade, ressignificando sua condição humana.
O amor de mãe se aproxima do amor divino quando visa exclusivamente à independência e felicidade do filho.
O divino se manifesta no amor maternal.
A morte não separa os corações que verdadeiramente se amam. 
A morte não mata as emoções, apenas transforma o corpo, permitindo ao espírito elevar-se em busca do amor espiritual.
Amar em espírito é amar em plenitude. 
Amar aquele que se foi, levado pela morte, é continuar vivendo em favor da própria vida.
O amor espiritual é o amor sem adeus. 
Não há destruição, mas breve separação. 
Não há perda, mas esperança de reencontro adiante.
O espírito sopra onde quer. 
Seu sopro é amor que emula em favor da vida na busca incessante de si mesmo.
Sua marca é o rastro de amor que deixa por onde passa.
O amor é prerrogativa do espírito. 
Surge de suas entranhas extrapolando os limites do corpo.
Quando pressentirmos a presença daqueles que já partiram para a Vida maior, às vezes causando-nos
sobressaltos, percebamos se não se trata do ente querido que, querendo demonstrar que a vida continua, retorna pela saudade e pelo seu amor por nós.
Jesus permanece conosco como o amor espiritual de nossas vidas e como aquele que
soube exemplificá-lo enquanto encarnado.
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